Um pão, um pacote de arroz, um pacote de leite e moedas para ajudar Cavaco

24.01.2012 - 18:08 Por PÚBLICO
Entre 200 e 300 pessoas, segundo contas do PÚBLICO, boa parte deles reformados, compareceram à chamada para a manifestação à porta do Palácio de Belém, em Lisboa. Foi um protesto simbólico contra as declarações do Presidente da República a propósito das suas reformas.
Através do Facebook, que tem sido uma das plataformas a dar a maior visibilidade ao coro de protestos que se levantou a seguir, foi posta a circular um apelo de mobilização para esta terça-feira. Palavra de ordem: "Traz uma moeda pró Cavaco". Ao fim de uma hora de flash mob, que começou cerca das 17h30 e terminou 60 minutos depois, a organização tinha angariado um pacote de cereais e outro de leite, um pão, um cigarro, um pacote de arroz e moedas.
A organização tentou depois entregar estes bens na Presidência, mas foram impedidos de avançar, tendo em conta que o nível de segurança tinha sido elevado por causa da visita do presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy. Porém, Paulo Querido, um dos organizadores desta iniciativa, garantiu em declarações aos jornalistas que iriam acabar por entregar aqueles bens aos serviços da Presidência.
Esta iniciativa foi convocada na segunda-feira como uma flash mob. A adesão não atingiu os níveis de contestação que se tem ouvido pelo país, depois de Cavaco Silva ter dito, na sexta-feira, que a pensão que recebe da Caixa Geral de Aposentações (1300 euros) não daria provavelmente para pagar as despesas.
"Neste momento já sei quanto é que irei receber da Caixa Geral de Aposentações. Descontei quase 40 anos uma parte do meu salários para a CGA como professor universitário e também descontei durante alguns 30 anos como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e devo receber 1300 por mês, não sei se ouviu bem 1300 euros por mês”, disse Cavaco, de visita ao Porto, na sexta-feira, olhando o jornalista. “Tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas porque como sabe eu também não recebo vencimento como Presidente da República”.
Na sequência destas declarações, o Presidente da República foi vaiado, em Guimarães, no sábado, durante a abertura da Capital Europeia da Cultura 2012, mereceu críticas de líderes políticos como Jerónimo de Sousa (PCP) e comentadores como Marcelo Rebelo de Sousa (PSD) e está também na mira de milhares de pessoas que já subscreveram uma petição online em que se pede a demissão do Presidente. Este, por sua vez, rompeu o silêncio, após três dias de polémica, enviando por escrito, para a Lusa, um texto em que afirma que não foi "suficientemente claro" quanto às intenções que tinha quando disse o que disse. Segundo Cavaco, a sua intenção foi a de ilustrar, com o seu próprio exemplo, que acompanha a situação dos portugueses que atravessam dificuldades.
Notícia actualizada às 18h40: Alterado o título para dar conta do desfecho da concentração; acrescentados parágrafos sobre o que se passou e de contexto.

