Baixa do Funchal

“Ditador”, “fascistas” e “palhaços” num tenso fim de campanha na Madeira

07.10.2011 - 15:29 Por Luciano Alvarez

  • Votar 
  •  | 
  •  17 votos 
Jardim durante uma inauguração recente Jardim durante uma inauguração recente (Rui Gaudêncio)
Era para ser mais uma inauguração de Jardim enquanto presidente do Governo Regional da Madeira. Acabou em três comícios, alguma confusão, ofensas mútuas, pontapés e uma trabalheira para a polícia. O último dia da campanha madeirense começou de forma agitada.

O “cenário” estava montado junto à baixa do Funchal. À espera de Jardim para a inauguração do “Arranjo urbanístico da Av. Sá Carneiro e da Praça do Mar” estava pouco mais de centena e meia de pessoas, a maior parte, membros do Governo Regional, deputados do PSD e funcionários públicos.

Jardim chegou pouco depois da hora marcada (12h) no carro oficial. Quem estava ali era o Presidente do Governo Regional e não o candidato social-democrata às eleições de domingo.

Assim que saiu do carro começou a cumprimentar os populares, como sempre faz. À sua volta seguranças e jornalistas atrapalham os cumprimentos. Jardim acaba por afastar os jornalistas antes de se fazer à estrada que ia ser inaugurada. “Não há conversa para ninguém. Não quero jornalistas à minha volta”, gritou enquanto afastava os jornalistas abrindo e fechando os braços.

Faz-se então à caminhada com cerca de um quilómetro. O primeiro incidente acontece mais ou menos a meio. Um pequeno grupo de membros do PND empunhava um lençol branco onde se podia ler “Onde anda a CNE [Comissão Nacional de Eleições?].

Jardim ignorou os adversários políticos. Mas alguns dos seus apoiantes não perderam a ocasião para brindar os membros do PND com ofensas diversas.

Jardim continuou a caminhada em passo rápido, deu a volta à estrada, e voltou ao local onde estavam os membros do PND e onde iria ser descerrada a placa comemorativa. Nessa altura também já lá estavam cerca de 20 membros da Juventude-Social Democrata da Madeira. Empunhavam bandeiras e megafones. “Alberto João” e “Nós só queremos Alberto a presidente” gritavam repetidamente. “Ditador”, gritavam os dos PND.

O pior aconteceu quando Jardim se preparava para discursar. O deputado do PND, António Fontes, mostrando o seu cartão de membro da Assembleia Municipal, interrompe o presidente do Governo Regional: "Esta obra é pública e eu tenho direito a falar."

A polícia age de imediato e tira-o de cena. “Fascistas, fascistas, fascistas”, gritam os membros da JSD, imitando Jardim que, na véspera, já tinham chamado o mesmo a um grupo que tinha incomodado outra inauguração. “Uma palhaçada” disse Jardim e retomou o discurso.

Só que junto ao palco estava agora José Manuel Coelho, do PTP, com uma bandeira do partido e mais quatro militantes. Jardim até já tinha cumprimentado Coelho quando se dirigia para o palco, mas o membro PTP, não se conteve e começou também a gritar enquanto Jardim falava: "Há gente com fome."

É imediatamente rodeado pelos jovens social-democratas. Alguns tentam chegar-se a Coelho, que ainda levou alguns pontapés, mas a polícia cercou-o de imediato e afastou os jovens “laranjas”.

Jardim lá conseguiu acabar o curto discurso: “No futuro vai falar-se de grandes obras e não se falará dos palhaços.”

Jardim admite votação menor

O que era para ser uma inauguração acabou por se transformar em três comícios com alguma tensão à mistura.

Jardim ainda falou aos jornalistas e até admitiu que pode não conseguir uma votação tão expressiva como a conseguida nas últimas eleições regionais. "Isso não acho [uma votação igual] devido às dificuldades que todos nós estamos a atravessar. Só uma pessoa inconsciente é que não percebia isso", afirmou, manifestando-se, porém, convicto que obterá a maioria absoluta.

Estatísticas

  • 18 leitores
  • 52 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1515449

Comentário + votado

Palhaços

Jardim esquece-se que há muitos anos, sempre que se fala da Madeira, se está a falar de palhaços. ...

Rui Silvares

07.10.2011 19:16

X

Mais em Política (5 de 9 artigos)

O eurodeputado Nuno Melo esteve na campanha do CDS na Madeira CDS-PP disponível para trabalhar em “solução de Governo” sem Jardim