Texto lido na cerimónia no Palácio da Ajuda

Discurso na íntegra de Passos Coelho

21.06.2011 - 13:33

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"DISCURSO DE TOMADA DE POSSE

Sr. Presidente da República,

Sr. Presidente da Assembleia da República em exercício,

Sr. Presidente do Supremo Tribunal de Justiça,

Sr. Presidente do Tribunal Constitucional,

Srs. representantes das mais altas instituições e autoridades do Estado,

Srs. Embaixadores e ilustres convidados,

Hoje nesta cerimónia de tomada de posse os portugueses esperam do seu Primeiro-Ministro que lhes fale com franqueza e que poupe nas palavras.Não escondemos a dimensão e a urgência dos desafios que se nos colocam, mas também não os receamos. Vivemos tempos difíceis e mais tormentas ainda nos aguardam. Mas temos de confrontar os nossos problemas com os olhos bem abertos e afugentar o medo paralisante. Temos de confrontá-los sem optimismos vazios, nemfatalismos estéreis. Somos e seremos semprerealistas. No entanto, o realismo em política não é sinónimo de resignação contemplativa. A resposta realista aos problemas consiste na procura e concretização de soluções, com a consciência de que não existem varinhas de condão que instantaneamente consertam o que durante tantos anos se foi arruinando.

Governar com realismo também significa fazer assentar a relação do Governo com os Portugueses naquela confiança que só o contacto constante e permanente com a realidade pode cultivar, sem recorrer a falsas promessas, sem vislumbrar admiráveis mundos virtuais, mas decidindo e agindo com responsabilidade, abertura e transparência.

Portanto, esta tomada de posse marca a celebração de um pacto de confiança, mas também de responsabilidade e de abertura, entre o Governo e a sociedade portuguesa. Um novo pacto de confiança, responsabilidade e abertura éimprescindível para a resolução dos problemas nacionais e para retomar a prosperidade.

A confiança que em nós foi depositada peloseleitores devolve-se com trabalho e gera o dever indeclinável de governar para mudar.

Chegou ao fim um certo tipo de governação e um certo entendimento da relação entre o Estado e a Sociedade. A crise que hoje atravessamos mostrou o esgotamento dos modos antigos e fez ressoar o apelo à mudança. Ora neste momento solene o Governo assume que atenderá a esse apelo. Na verdade, essa vontade de mudança é a sua maior justificação política e a sua maior vocação. Não certamente a mudança gratuita e irreflectida. Não certamente a mudança inspirada em obsessões ideológicas. Mas a mudança que é exigida pelo confronto com os bloqueios que paralisaram o nosso País, e que decorre de um espírito reformista enérgico e corajoso.

O meu Governo será o agente dessa mudança, de uma mudança que é desejada pelos portugueses,num grande desígnio colectivo para o qual convocamos a participação dos cidadãos, dos agentes económicos e das instituições sociais. Contamos com o esforço, o trabalho, a coragem, a cooperação de todos, mas sabemos que para isso o Governo terá de merecer todos os dias a confiança do povo português. O povo português pode contar com o seu Governo, e nós sabemos que podemos contar com a sua dedicação, com a sua coragem, com a sua persistência, com o seu engenho, com a sua boa vontade, com a sua paciência.

Falo da mudança de acordo com um rumo que é o nosso. Seguir o nosso rumo não exclui que se escutem as opiniões, que se avaliem os resultados e que porventura se reexaminem as decisões. Mas desse rumo não nos desviaremos.

Haverá sempre nesta ou naquela encruzilhada erros e omissões. Afinal, quem se atreveria a assegurar que tudo será perfeito quando se trata de governar um país nas circunstâncias tão difíceis que todos conhecem? Mas no essencial, no que é vital para Portugal, estou certo de que não falharemos.

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Discurso

Gostei do discurso, que ataca a recuperação da confiança e nos recorda a história e das ...

António Gouveia

21.06.2011 17:45

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