Os líderes das centrais sindicais CGPT e UGT consideram que o discurso de Ano Novo de Cavaco Silva foi "importante" e "faz um diagnóstico importante da sociedade portuguesa", embora Carvalho da Silva saliente que "o Presidente da República é o primeiro actor político".
O líder da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN) considerou hoje que os alertas feitos pelo Presidente da República na mensagem de Ano Novo foram "importantes", embora recorde que Cavaco Silva desempenha um papel fundamental na mudança.
"O que digo é que as observações são importantes, mas as práticas e a acção política são fundamentais. Não esqueçamos que o Presidente da República é o primeiro actor político", sublinhou o secretário-geral daquela confederação, Carvalho da Silva.
O responsável pela CGTP-IN reagia, assim, ao discurso de Ano Novo proferido pelo chefe de Estado ontem à noite, no qual Cavaco Silva apontou a elevada taxa de desemprego e a dívida externa de Portugal como alguns dos problemas que os portugueses enfrentam, conjuntura que poderá conduzir Portugal "a uma situação explosiva".
No discurso, Cavaco Silva apelou ainda "a um entendimento" entre as várias forças políticas, adiantando que a discussão do Orçamento de Estado para 2010 é "o momento adequado para essa concertação política".
"Há aspectos positivos no conteúdo do discurso e na observação dos problemas, mas há também lacunas", disse Carvalho da Silva à Lusa, apontando o silêncio do Presidente da República relativamente a assuntos como o valor dos salários dos trabalhadores ou a actuação dos agentes económicos como algumas das falhas.
"A crise tem causas e responsáveis e é preciso denunciar tudo isto", acrescentou o secretário-geral da CGTP-IN, frisando que o apelo de Cavaco Silva para um entendimento partidário "só será positivo se for para criar mudança".
Dívida externa e desemprego é "uma questão contraditória"
Por seu lado, o secretário-geral da UGT, João Proença, considerou que o discurso de Ano Novo do Presidente da República acerta no retrato à sociedade, mas alertou para as contradições entre a luta contra o desemprego e contra o endividamento externo.
"Há no discurso uma questão contraditória: a dívida externa e o desemprego", considerou João Proença, em declarações à agência Lusa.
"As questões que têm a ver com a dívida externa exigem medidas contra-cíclicas, que terão efeitos de aumento do desemprego", acrescentou o secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT).
João Proença referiu que Cavaco Silva "faz um diagnóstico importante da sociedade portuguesa e apela à necessidade do diálogo, um diálogo também social, que nos parece importante em relação ao futuro".
O secretário-geral da UGT destacou ainda que o discurso de Ano Novo "refere de forma clara que o Governo deve governar, mas também que deve governar de acordo com o programa de Governo".
Ainda nas questões económicas, João Proença concordou com a análise de Cavaco Silva de que o aumento da competitividade é uma das questões centrais que devem estar na base da economia portuguesa, mas afirmou que este aumento de competitividade "não pode ser sempre feito à custa do trabalhador".


