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Dirigente socialista acusa Cavaco de se "intrometer" na agenda do PS

19.12.2009 - 16:57 Por Lusa

O dirigente socialista Sérgio Sousa Pinto acusou hoje o Presidente da República de se “intrometer” na agenda do PS sobre casamentos homossexuais, advertindo que, se fizer “coro” com a oposição de direita, colocará em causa a estabilidade política.
Sérgio Sousa Pinto com José Sócrates, num congresso do PS Sérgio Sousa Pinto com José Sócrates, num congresso do PS (Fernando Veludo (arquivo))

Sérgio Sousa Pinto falava aos jornalistas à entrada de uma reunião entre o secretário-geral do PS, José Sócrates, e presidentes de câmaras eleitos pelos socialistas.

Sexta-feira, o Presidente da República foi questionado pelos jornalistas sobre a aprovação pelo Governo de uma proposta de lei que visa permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Na resposta, o chefe de Estado disse que a sua atenção estava no desemprego, no endividamento do país, no desequilíbrio das contas públicas, na falta de produtividade e de competitividade.

“O Presidente da República, como qualquer cidadão português, tem a liberdade de ter a sua posição pessoal relativa ao diploma respeitante à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas já não terá o direito de se intrometer na agenda dos partidos e, no caso vertente, do PS”, afirmou Sérgio Sousa Pinto.

Para o ex-líder da JS, se o chefe de Estado interferir na agenda dos partidos, “estará a contribuir inutilmente para a dramatização da vida nacional e a pôr em causa as condições de estabilidade política, que são indispensáveis para dar resposta a problemas que preocupam o senhor Presidente da República, como preocupam o Governo e o PS”.

“Os portugueses não escolheram o PS para formar Governo para que a agenda do Governo e do PS fosse determinada pelo senhor Presidente da República”, declarou ainda o dirigente socialista.

Numa alusão ao facto de o chefe de Estado ter secundarizado a questão dos casamentos entre cidadãos do mesmo sexo, Sérgio Sousa Pinto reconheceu a existência de “problemas estruturais na economia portuguesa” e “de uma gravíssima crise internacional”.

“Mas não é a circunstância desses problemas existirem que impede os partidos e, designadamente o PS, de exercerem a iniciativa política em matérias que considera relevantes, que foram sufragadas pelos portugueses nas últimas eleições e que correspondem à aplicação do programa eleitoral”, sustentou.

Perante a insistência dos jornalistas em conhecer o motivo que leva o PS a entender que o Presidente da República poderá estar a intrometer-se na agenda política deste partido, Sérgio Sousa Pinto apontou que o Presidente da República “pronunciou-se no sentido de que haveria problemas mais urgentes menos susceptíveis de dividir os portugueses”.

“A verdade é que não compete ao Presidente da República determinar a agenda do PS nem dos demais partidos. Não é essa a sua função, tem poderes constitucionais muito fortes, que lhe estão confiados, mas a faculdade de se intrometer na agenda dos partidos não é um deles. Se a intenção do Presidente da República, exorbitando aquilo que é a sua legitimidade neste contexto, entende fazer coro com o discurso dos partidos da oposição [de direita], objectivamente está a contribuir para uma dramatização indesejável da nossa vida política e a contribuir para que se ponham em crise as condições de estabilidade política”, sustentou.

Questionado se encara o chefe de Estado como um líder da oposição, o dirigente socialista demarcou-se dessa perspectiva.

Mas, “se o Presidente da República optar por se pronunciar sobre a agenda dos partidos, numa linha idêntica à dos partidos da oposição de direita, objectivamente está a contribuir para uma dramatização indesejável da vida política nacional e a comprometer as condições de estabilidade”, referiu.

Na perspectiva do vice-presidente da bancada do PS, “é de esperar que o desejo do Presidente da República seja o de contribuir para a estabilidade governativa”.

Nas suas declarações aos jornalistas, Sérgio Sousa Pinto também criticou declarações proferidas pelo deputado do PSD Carlos Peixoto, segundo as quais, com a legalização dos casamentos “gay”, poderia abrir-se a porta mais tarde a casamentos entre pais e filhos.

“O tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo divide os portugueses e há pontos de vista diferentes e inteligentes de ambos os lados. Há pessoas de um lado e de outro que esgrime argumentos respeitáveis”, começou por observar o ex-líder da JS.

No entanto, para Sérgio Sousa Pinto, as declarações proferidas por este deputado do PSD “dirigem-se a um Portugal cavernícula, que felizmente já não existe”.

“Quero fazer justiça ao partido que esse deputado representa, o PSD, porque estou convencido que os sociais-democratas não se revêem neste género de declarações e de contribuições”, sustentou.

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Pintelhos há muitos e só complicam!

ET

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