Dias Loureiro, que hoje renunciou ao cargo de Conselheiro de Estado, no seguimento das suspeitas de ilegalidades na SLN e no BPN, esteve sempre ao lado do presidente Cavaco Silva, desde o famoso congresso "laranja" da Figueira da Foz.
O advogado e gestor de 57 anos, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra após uma passagem pelo seminário de Fornos de Algodres, foi um dos apoiantes do então especialista em Finanças e actual Presidente da República.
Com a eleição de Cavaco Silva como líder do Partido Social Democrata (PSD), em Junho de 1985, Dias Loureiro, que já fora Governador Civil de Coimbra, manteve-se sempre ao lado do novo presidente, nomeadamente como secretário-geral dos sociais-democratas e deputado.
Mais tarde, Cavaco Silva convidou-o para liderar dois Ministérios durante os XI e XII Governos, respectivamente com as pastas dos Assuntos Parlamentares e da Administração Interna.
De resto, foi já na segunda maioria absoluta de Cavaco Silva que protagonizou um dos momentos mais marcantes das duas legislaturas. Durante os protestos populares na Ponte 25 de Abril, conhecidos como "o buzinão", Dias Loureiro sancionou o uso da força por parte das forças policiais, em Junho de 1994.
Após a "queda" da maioria social-democrata, Dias Loureiro continuou a desempenhar funções de responsabilidade no partido, cuja actual sede, na Lapa, foi comprada ainda durante o seu desempenho do cargo de secretário-geral.
Entre os postos de vice-presidente e presidente de congressos "laranja", além de deputado, Manuel Joaquim Dias Loureiro, oriundo de uma família de comerciantes de Aguiar da Beira, com sete irmãos, continuou a exercer advocacia e dedicou-se à administração de empresas.
Em 2001, seria nomeado administrador da "holding" (sociedade gestora de participações sociais) Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que detinha o Banco Português de Negócios (BPN).
O confesso adepto da caça e do golfe já por duas ocasiões tinha sido protagonista de negócios polémicos, com a SLN a ver um consórcio seu escolhido pelo Governo de Santana Lopes para fornecer as Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), e a OMNI, outra empresa do grupo, a vender vários aviões de combate a incêndios, num total de cerca de mais de 600 milhões de euros, com o Estado português.
Ainda assim, o seu nome foi um dos cinco propostos por Cavaco Silva para o Conselho de Estado, composto por 16 personalidades proeminentes do País.


