Eleições legislativas 2009

Dez à procura de um deputado

13.09.2009 - 08:16 Por Maria Lopes

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Se olharmos para o número de partidos e coligações que vão aparecer no boletim de voto, estas vão ser as legislativas mais participadas de sempre Se olharmos para o número de partidos e coligações que vão aparecer no boletim de voto, estas vão ser as legislativas mais participadas de sempre (Rui Gaudêncio)
Os 15 partidos e movimentos que se candidatam fazem destas legislativas as mais participadas de sempre. Cinco já se sentam no Parlamento, os outros - incluindo os quatro que se estreiam na corrida à Assembleia - sonham com pelo menos um lugar.

Se olharmos para o número de partidos e coligações que vão aparecer no boletim de voto, estas vão ser as legislativas mais participadas de sempre. Além dos cinco partidos com assento parlamentar, a corrida às urnas conta com mais nove movimentos e partidos e uma coligação.

A última maior participação, com 14 concorrentes, data de Abril de 1983. A avaliar pela evolução recente da afluência às urnas, porém, será muito difícil repetir o entusiasmo dos eleitores nessa votação, que registou uma abstenção de apenas 22,21 por cento.

O objectivo comum de cada um dos "pequenos" é chegar a (pelo menos) um deputado no hemiciclo, o que escancara as portas da visibilidade junto da opinião pública - isso seria também uma alavanca monetária, já que só nessa altura passariam a receber subvenção estatal. O PÚBLICO fez uma ronda pelos candidatos da chamada "divisão de honra" da política portuguesa.

Há quatro estreias na corrida ao Parlamento: o Movimento Esperança Portugal (MEP) e o Movimento Mérito e Sociedade (MMS) entusiasmados pela receptividade que tiveram na campanha para as europeias; e os recém-nascidos (este Verão) Partido Trabalhista Português (PTP) e o Portugal Pró Vida (PPV).

Em 2005, dois pequenos partidos tinham conseguido chegar ao hemiciclo através de alianças: o MPT - Partido da Terra elegera Pedro Quartin Graça e Luís Carloto Marques à boleia do PSD, partido que ajudara igualmente o PPM - Partido Popular Monárquico a colocar no parlamento Nuno da Câmara Pereira e Miguel Pignatelli Queiroz. Mas a estratégia de Manuela Ferreira Leite é diferente, o que obrigou os dois partidos a procurar alternativas. O MPT juntou-se ao Partido Humanista, formando a Frente Ecologia e Humanismo (FEH). Já o PPM conta com os simpatizantes monárquicos para manter o também fadista Câmara Pereira no Parlamento.

MEP

Expectativas altas

Se os sinais das europeias se repetirem, o Movimento Esperança Portugal deverá eleger um deputado em Lisboa e ficar perto de mais dois (o segundo na capital e um no Porto). Colocado ao centro do espectro político, "o MEP quer fazer política pela positiva e não na base do ataque", diz o seu presidente, Rui Marques. Por isso, o partido tem talvez o programa mais estruturado de toda a segunda divisão, com 160 propostas concretas que abrangem todos os sectores. Rui Marques destaca o pré-escolar universal aos três anos, essencial para o reforço da igualdade de oportunidade, a criação do cheque-emprego para os desempregados de longa duração colocados a prestar serviço em IPSS e juntas de freguesia e dos consultores para o emprego (acompanhamento personalizado do desempregado). Junta ainda a contratação de um serviço de ‘factoring’ para que as empresas credoras do Estado recebam no prazo previsto e, no âmbito fiscal, que a cláusula de doação do IRS seja aumentada para um por cento e se torne de preenchimento obrigatório (mesmo para recusar).

MMS

Qualidade de vida

Sob o lema Mudar Portugal, o Movimento Mérito e Sociedade diz basear a sua ideologia em quatro vectores: rigor, transparência, mérito e responsabilidade. Por isso, quando questionado sobre o posicionamento ideológico do partido, Eduardo Correia, presidente e principal candidato, recusa "o espartilho da divisão direita-esquerda", pelo que o MMS se situa "ao lado da qualidade de vida das pessoas". Quanto às bandeiras para as legislativas, o candidato salienta o combate à corrupção, a redução do número de deputados e de nomeações para a administração pública dependentes do governo, a transformação das prisões em local de trabalho, a eliminação do cúmulo jurídico, a castração química de pedófilos. Na área económica propõe o aproveitamento da zona económica exclusiva, apoiando a construção naval, a investigação oceanográfica, o aproveitamento energético e a aquacultura de alto-mar.

PPV

Defesa da vida

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27.09.2009 21:18

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