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República/100 anos

Descendente de "musa" inspiradora do busto da República imagina que seria "mulher atrevida"

26.01.2010 - 10:43 Por Lusa

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Ilda Pulga, que morreu em 1993 com 101 anos, foi a inspiradora do busto Ilda Pulga, que morreu em 1993 com 101 anos, foi a inspiradora do busto (Daniel Rocha)
O orgulho está patente na forma como um dos descendentes de Ilda Pulga, a “musa” que serviu de modelo para o primeiro busto da República, descreve a sua familiar, que supõe ter sido “uma mulher atrevida” para a época.

“Deverá ter sido uma mulher lindíssima, para o escultor a ir buscar para ser o seu modelo para o busto, o que me leva a pensar também que terá sido uma pessoa muito atrevida” para a época, afirma à agência Lusa Joaquim Pulga.

Apesar de não ter conhecido Ilda Pulga, que faleceu em 1993, com 101 anos, o sobrinho bisneto da mulher que posou e inspirou o escultor que concebeu o busto da República encara esse facto como “um afago para o ego”. “Uma pessoa que, aos 18 ou 19 anos, serve de modelo a um escultor para busto da República deve ter evoluído de uma forma diferente do comum dos mortais”, presume, considerando que a sua familiar “terá sido uma mulher com uma vida cultural muito intensa”.

O interesse de Joaquim Pulga pelo assunto “nasceu” em 1993, depois de ler num jornal a notícia da morte da Ilda Pulga. Na altura, desconfiou, porque, segundo diz, “Pulgas em Portugal só há uma família”, que é a sua. “Ao ver no jornal Ilda Pulga, natural de Arraiolos, fui procurar, mas foi muito difícil, porque tinha de entrar nos arquivos da igreja”, conta, lembrando que “só a partir da implantação da República é que os assentos começaram a ser feitos no registo civil”.

Como nos registos paroquiais de Arraiolos Joaquim Pulga não conseguiu encontrar informação sobre a sua tia-bisavó, decidiu recorrer aos amigos que conhece naquela vila alentejana. “Indicaram-me um velhote que se lembrava de uma família Pulga em Arraiolos. Depois, fui junto dos meus familiares e cheguei à conclusão que a dita senhora só podia ser da minha família”, refere, explicando que Ilda Pulga era irmã do seu bisavô.

Para Lisboa à procura de uma vida melhor
Joaquim Pulga ficou então a saber que “a senhora foi para Lisboa muito jovem, com os seus 10 a 13 anos”, e que “as fomes daquela altura”, no Alentejo, que “eram muito grandes”, terão motivado a sua mudança para a capital. “Deve ter ido para Lisboa à procura de uma vida melhor. Provavelmente foi com a sua família, o que já não posso confirmar”, supõe, garantindo, contudo, que a sua familiar foi costureira.

O sobrinho bisneto da “mulher que representa a República” lembra ainda que sempre existiu uma “grande dúvida sobre quem foi o escultor do busto”, mas defende que “o verdadeiro autor foi João da Silva, que usava como pseudónimo João da Nova”. “Era João da Nova porque também escrevia para a revista Seara Nova”, acrescenta.

Busto fica inalterado

O busto da República foi aprovado oficialmente em 1911 mas a Comissão para as comemorações do centenário desvaloriza qualquer intenção em alterar a escultura, como ocorreu em França. Após a libertação de Paris, em 1944, durante a II Guerra Mundial, a Associação dos Autarcas Franceses decidiu mudar periodicamente o busto de "Mariana", adoptando como modelos artistas de cinema e da música francesas contemporâneas, sendo a manequim e actriz Laetitia Casta o modelo actual da escultura.

Em Portugal, a escultura não sofreu alterações e passado um século da Revolução de 05 de Outubro de 1910 a Comissão para as Comemorações do Centenário não prevê a modernização do símbolo. Fernanda Rollo, Comissária das Comemorações do Centenário da República, disse à Lusa que, ao contrário de França, dificilmente a sociedade portuguesa iria aceitar a mudança e que o importante é conhecer o busto actual. "Temos dinâmicas diferentes [de França]. Não está prevista pela Comissão qualquer iniciativa no sentido de mudar o busto da República. Estamos mais interessados em conhecer o busto actual e as várias manifestações artísticas que inspirou. Em relação a França, não temos de ter esse quadro de mimetização. Não sei se a sociedade portuguesa aderiria a este tipo de mudanças", disse a historiadora Fernanda Rollo.

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e eu aho

que deveria ser da D. MFL a escolhida para modelo. Referendo já !

é esta

26.01.2010 11:31

X

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