Defesa garante que Governo está a trabalhar para resolver preocupações dos militares

06.11.2008 - 15:14 Por Lusa, PÚBLICO
O ministro da Defesa garantiu hoje que o Governo está a trabalhar, em conjunto com as chefias do Exército, Força Aérea e Marinha, para resolver as questões que têm sido levantadas pelos militares, que têm manifestado o seu descontentamento acusando o poder político de se manter em silêncio perante as dificuldades por si denunciadas.
Severiano Teixeira, que falava hoje aos jornalistas no Parlamento, disse que as "chefias militares têm transmitido ao Governo as preocupações e as expectativas das Forças Armadas", acrescentando que as questões problemáticas "estão identificadas" e que o "Governo está a trabalhar no sentido da resolução dessas questões". Ainda de acordo com o ministro da Defesa, a "resolução está a ser trabalhada com as próprias chefias".
O membro do Governo, que quer transmitir "uma palavra de tranquilidade" às Forças Armadas, reiterou que até ao final do ano estará "lançado o processo" legislativo do regime de carreiras e remunerações dos militares.
Questionado sobre os protestos de várias associações de militares, Severiano Teixeira frisou que estas têm o seu estatuto definido na lei e que será ao abrigo desse estatuto legal que "serão ouvidas" no âmbito do processo legislativo do regime de carreiras e remunerações das Forças Armadas. "O estatuto das associações está consignado na lei. O novo estatuto do dirigente associativo tem um âmbito e um conjunto de matérias sobre os quais devem ser ouvidas e tem também um momento e um local próprio e institucional em que devem ser ouvidos. Nesse local, no momento próprio naturalmente serão ouvidas", assegurou.
Reiterando que "o Governo tem consciência" das "questões e anseios" que preocupam os militares, o ministro frisou que o Executivo "não vai desviar-se do seu rumo" e que "trabalhará com as chefias militares no sentido de resolver essas questões". "São cidadãos que abdicam de uma parte da sua cidadania (...) e muitas vezes estão em missões com risco da própria vida e essa especificidade tem que ter uma tradução", acrescentou, explicando que foi por essa razão que "o Governo teve a iniciativa" de "tratar de forma autónoma o regime das carreiras e remunerações dos militares".
O descontentamento entre as Forças Armadas arrasta-se há vários anos mas foi colocado na agenda mediática depois de, num artigo de opinião divulgado no PÚBLICO, a 25 de Outubro, Loureiro dos Santos, ex-Chefe de Estado-Maior do Exército, ter denunciado aquilo que considerava serem “sinais preocupantes” entre os militares, que faziam lembrar o clima de descontentamento que originou, há 33 anos, o 25 de Novembro.
"Interessa ter presente que este alerta tem vindo a ser feito já há vários anos, que os militares sentem que não estão a olhar para eles de corpo inteiro mas sim como cidadãos de segunda, que têm mais deveres e não têm as contrapartidas aos deveres, portanto têm vindo a apresentar reivindicações", acrescentou ontem Vasco Lourenço em declarações à Lusa, voltando a referir que “tem-se vindo a atirar os militares para situações indesejáveis, porque não é normal, não é correcto, os militares virem fazer manifestações para a rua, portanto há que alertar que, a continuar assim, os militares, nessa escalada de atitudes, podem chegar a outras atitudes, mais disparatadas e menos próprias".
Questionados hoje pelo “Diário de Notícias”, vários militares no activo e na reforma, não identificados, chegam a sugerir que “os chefes deveriam demitir-se, face ao silêncio do poder político” embora sugiram que o ideal seria até que, consumada essa demissão, ninguém aceitasse dirigir as Forças Armadas para criar um vazio e forçar o Governo a resolver os problemas, lembrando que essa foi já uma situação vivida em França há alguns anos.

