O secretário-geral do PCP considerou nesta segunda-feira que as declarações do primeiro-ministro de que espera não serem necessárias mais medidas de austeridade podem “descansar os espíritos mais inquietos”, mas não tranquilizam os comunistas.
“O senhor primeiro-ministro nessa matéria não é muito de fiar, porque tem garantido coisas que depois não concretiza, nem efectiva”, afirmou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, durante uma conferência de imprensa sobre a reunião do comité central do partido que começou domingo e terminou nesta segunda-feira.
Reiterando as críticas às políticas seguidas pelo Governo, Jerónimo de Sousa confessou não ter ficado tranquilo depois das declarações do primeiro-ministro esta manhã, quando Pedro Passos Coelho disse esperar que “nunca venham mais a ser precisas em Portugal” medidas adicionais de austeridade e que todas as medidas adoptadas “estejam dentro do quadro que está actualmente em vigor”.
“Aquilo que o senhor primeiro-ministro diz obviamente descansa os espíritos mais inquietos, não nos tranquiliza”, sublinhou o secretário-geral comunista, renovando a sua preocupação de que novas medidas de austeridade venham a pesar sobre os “mesmos de sempre”, nomeadamente os trabalhadores e os reformados, ao mesmo tempo que a banca e os grupos económicos mantêm as garantias de “isenção e privilégio”.
Relativamente à reunião do comité central, Jerónimo de Sousa adiantou que um dos temas em análise foi a realização do XIX congresso do partido, de 30 de Novembro a 2 de Dezembro, tendo sido fixado que irá decorreu no Complexo Municipal do Desportos de Almada.
Ainda segundo o secretário-geral do PCP, o comité central definiu também “linhas de orientação relativas ao projecto de alterações ao programa do partido”, que será concretizado no congresso.
Sem adiantar quaisquer pormenores em relação às alterações do programa do PCP que serão feitas, Jerónimo de Sousa esclareceu apenas que serão mudanças que visam dar “maior actualidade tendo em conta desenvolvimentos que se verificaram nos últimos anos”.
Contudo, vincou, no essencial será mantido “aquilo que caracteriza a natureza, a identidade e o projecto do PCP”.
Relativamente às Teses do congresso, Jerónimo de Sousa disse apenas que incidirão sobre “questões internacionais e a situação nacional nas suas diversas vertentes”.


