A decisão anunciada esta sexta-feira por José Sócrates de não permitir duplas candidaturas socialistas às autárquicas e legislativas, está a dividir os próprios militantes do PS. Em declarações esta tarde à TSF, Sónia Sanfona, deputada e candidata à Câmara de Alpiarça lamenta o “timing” da decisão, classificando-a de má estratégia.
“Aquilo que eu lamento é que não tenha havido a preocupação de tratar deste assunto em concreto no Congresso do PS, o local próprio para tomar este tipo de decisões. A altura própria para o fazer era no início de todo este processo eleitoral que culminará com as eleições autárquicas em 11 de Outubro”, afirmou Sónia Sanfona.
Também Leonor Coutinho, deputada socialista e candidata à Câmara de Cascais se tinha mostrado contra o tempo de apresentação desta decisão. Ontem ao final da noite, em declarações à TSF, Leonor Coutinho disse que se tivesse estado na reunião de sexta-feira, marcada inesperadamente, onde foi decidida a medida, que teria votado contra.
Já Ana Gomes, eurodeputada e candidata à Câmara de Sintra saudou a iniciativa, que considerou “razoável”, reconhecendo que esta é uma reacção do partido à polémica que se instaurou com as duplas candidaturas durante as eleições europeias e que foi usada naquela que classificou como “uma campanha demagógica do social-democrata Paulo Rangel”.
“Neste momento sou candidata apenas à Câmara Municipal e, se for eleita, é na câmara que fico; se não for eleita, é no Parlamento Europeu que fico em exclusividade, ao contrário do deputado Paulo Rangel, uma das pessoas que fez esta demagogia, e que depois de ser eleito para o PE veio admitir que poderia não cumprir integralmente esse mandato se for desafiado pelo seu partido para outras funções”.
No seguimento destas declarações de Ana Gomes, José Pedro Aguiar Branco, vice-presidente do PSD desafiou o PS a ser consequente na proibição das duplas candidaturas e a obrigar Elisa Ferreira e Ana Gomes a optarem entre Estrasburgo e as candidaturas autárquicas que estão a preparar.


