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Eleições 2009

Debate final mantém empate entre Sócrates e Ferreira Leite

13.09.2009 - 08:07 Por São José Almeida

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Desengane-se quem pensava que ia conseguir perceber, através do frente-a-frente televisivo entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite ontem transmitido pela SIC, quem será o vencedor das eleições de 27 de Setembro. A forma como ambos os líderes se apresentaram no debate foi equilibrada e não houve de parte a parte nenhuma distracção que liquidasse a sua imagem.
Os líderes do PS e do PSD debateram argumentos sem que nenhum levasse o adversário ao tapete Os líderes do PS e do PSD debateram argumentos sem que nenhum levasse o adversário ao tapete (Nuno Ferreira Santos)

O secretário-geral do PS apresentou-se tranquilo, assumindo a imagem dialogante que adoptou no período de pré-campanha, mas sem nunca deixar de atacar com contundência. A presidente do PSD conservou a acutilância discursiva e a imagem de genuinidade que lhe é característica, mesmo quando se irrita.

Um dos momentos de grande clareza de Ferreira Leite foi já no final, ao afirmar peremptória que está "absolutamente fora de causa" a possibilidade de, caso ganhe, vir a formar um governo de coligação com José Sócrates. E acrescentou outra clarificação: não pede maioria absoluta, porque não faz "chantagem" sobre o eleitorado. Além disso, não está convencida de que "seja necessário maioria absoluta para governar". E rematou: "Espero que o PS seja tão responsável como o PSD, que deu seis anos de governos minoritários ao engenheiro Guterres."

Por seu lado, Sócrates recusou-se a clarificar se admite fazer alianças e acordos e repetiu que espera os resultados. Em noite de clarificações, Sócrates declarou que não reconduzirá nenhum ministro no caso de permanecer no Governo. E confirmou que, se perder as eleições, assumirá o seu mandato de deputado. Declaração que Ferreira Leite repetiu.

Polémicas e economia

Rejeitando, por a considerar "absolutamente despropositada", a acusação de que existe uma "asfixia democrática", Sócrates acusou Ferreira Leite de ter um "falso candidato" na Madeira. Esta recusou-se mais uma vez a falar sobre a escolha de António Preto e de Helena Lopes da Costa para as listas, afirmando apenas que "nunca traria para a política" questões do âmbito da Justiça.

Em relação à economia, Ferreira Leite repetiu que o actual modelo "tem que ser alterado" e garantiu que fez a análise da economia antes da crise e concluiu que a situação era de "economia descendente". Advogou que o Governo combateu "tarde" e de modo "errado" a crise, ignorando as pequenas e médias empresas. O líder do PS opôs-se com veemência a esta leitura e sublinhou que Ferreira Leite tinha analisado os números de 2008 "como se fossem antes da crise", quando "não são".

A divergência manteve-se em relação ao TGV. Sócrates acusou Ferreira Leite de enquanto ministra de Durão Barroso ter assumido o compromisso do TGV. O líder socialista puxou de documentos mostrando-os às câmaras e conseguiu mesmo irritar a líder do PSD, que justificou a mudança de posição com a mudança da conjuntura e com o endividamento externo.

Já sobre impostos, Sócrates repetiu o compromisso de não os subir e Ferreira Leite voltou a dizer que não podia comprometer-se mas que "o nível de carga fiscal não é susceptível de ser aumentado". E ambos esgrimiram argumentos sobre a política fiscal do Governo. Sócrates puxou então para cima da mesa a política fiscal do Governo Durão Barroso, em que Ferreira Leite foi ministra das Finanças. Esta rebateu, dizendo: "O problema das contas públicas de Portugal foi criado pelo Governo socialista do engenheiro Guterres." Já sem se perceber ficou a razão por que o PSD não colocou a introdução de portagens nas Scut no seu programa eleitoral.

Mas se Ferreira Leite se atrapalhou com as Scut, Sócrates também não respondeu sobre as razões pelas quais não assume que a reforma da Segurança Social vai no futuro aumentar a idade da reforma e reduzir o valor recebido, quando questionado pela líder do PSD, que garantiu não querer privatizar este sistema público. Optou antes por enumerar a sua "nova geração de políticas sociais".

A líder do PSD garantiu também que não privatizará a Saúde, mas defendeu a parceria com o sector privado. Sobre a Educação foi possível ouvir Ferreira Leite a prometer que não imporá modelos de avaliação, mas está disposta a negociar. E Sócrates garantir mais uma vez que tudo o fez foi "em nome do interesse geral".

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