Cravinho defende inquérito para acabar com dúvidas no caso Face Oculta

25.02.2010 - 09:56 Por PÚBLICO
João Cravinho defendeu ontem que deveria ser aberto um inquérito para acabar com as dúvidas levantadas pelas escutas feitas no âmbito do processo Face Oculta. Em declarações no seu programa de comentário semanal na Renascença, o socialista questionou também o papel do Estado como accionista da Portugal Telecom.
“A abertura de inquérito seria uma maneira de sanar, de criar um clima de respeito pela dedicação da Justiça ao apuramento da verdade”, afirmou João Cravinho. Depois, apelidou a situação que se está a viver como “confusa” e disse que “a questão se encaminha de modo a transparecer ou para uma situação intolerável que é o apodrecimento”.
Segundo João Cravinho, o plano judicial está “há três meses numa situação paradoxal. Dá impressão que cada cavadela, cada minhoca. Cada vez que se sabe uma notícia, essa notícia aparece sempre nebulosa, controversa”. Um clima que o antigo ministro das Obras Públicas entende que podia ser clarificado com a abertura de um inquérito judicial. “É um procedimento que, em si mesmo, não me parece ofensivo seja de quem for e parece-me que há, pelo menos, tantas dúvidas, tantos problemas, tanta suspeita que, de facto, o inquérito serve exactamente para isso”, acrescentou também na Renascença.
Apesar disso, Cravinho admite que existiria sempre a “alta probabilidade de esse inquérito não levar ninguém a julgamento, ou pelo menos quem tem sido mais visado que é o caso de José Sócrates”. O antigo ministro de António Guterres sublinhou, ainda, que considera “muito grave” que o país esteja completamente dominado pela “agenda das escutas”, esquecendo os grandes problemas nacionais como o Orçamento do Estado para 2010 ou o Plano de Estabilidade e Crescimento.
Ainda assim, Cravinho defendeu que o primeiro-ministro tem tido no plano legal e judicial “uma atitude muito clara e muito firme”. Já sobre a Portugal Telecom, disse que tem havido uma “omissão muito séria”. E explicou: “Há dois administradores por parte do Estado que se demitiram, que são referidos na comunicação social. O estado que os nomeou tem a obrigação de saber, de avançar com uma intervenção muito firme, em colaboração com os outros accionistas, no sentido de apurar efectivamente, em primeiro lugar, o que se passou na PT. O Estado como accionista tem que intervir.”
Para o socialista “não se pode ter uma golden share nomear o presidente da empresa e dois em sete administradores da comissão executiva e fingir que o que se passa na PT não é da responsabilidade também do grande accionista Estado”.

