Coordenador do Observatório admite que "é cedo" para ter dados credíveis sobre preço dos medicamentos

20.06.2006 - 14:50 Por Lusa
O coordenador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde desvalorizou hoje as conclusões do relatório deste organismo sobre o aumento do preço dos medicamentos sem receita, afirmando que "ainda é cedo para se chegar a uma avaliação credível" sobre o tema. Pedro Ferreira admite que são necessários mais estudos e que a observação feita não é "taxativa".
Em declarações aos jornalistas após a apresentação do relatório anual do organismo, Pedro Ferreira frisou que o relatório "não faz uma observação taxativa e forte" sobre a evolução do preço destes medicamentos porque a sua venda fora das farmácias "é uma decisão muito recente". "Ainda precisa de estudos, de mais evidência, para se chegar a uma conclusão credível".
O coordenador explicitou que os dados usados pelo Observatório para sustentar o "aumento generalizado dos preços" dos medicamentos vendidos sem receita foram recolhidos junto dos grossistas e correspondem ao preço de venda ao público. O coordenador do organismo não soube adiantar em quantos locais de venda nem quantos ou quais os medicamentos sobre o qual a informação foi recolhida, mas deixou implícito que a amostra terá sido reduzida.
Na sexta edição do Relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde é indicado que a "informação disponível aponta para o aumento generalizado dos preços dos Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica face ao período prévio à liberalização", decidida em Agosto do ano passado. O relatório salienta ainda que "os preços de venda ao público nestes novos estabelecimentos são, na generalidade, superiores aos preços praticados nas farmácias".
A apreciação do Observatório foi hoje veementemente criticada pelo ministro da Saúde, António Correia de Campos, que acusou o organismo de falta de rigor e credibilidade na sua análise, uma crítica reiterada pelo secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos durante a sua intervenção na apresentação do documento.
Embora tenha salientado a qualidade do documento, Francisco Ramos discordou das conclusões, afirmando que "não é correcto do ponto de vista de um relatório que é absolutamente técnico fazer afirmações não fundamentadas".
Para o governante, o Observatório "não é isento nas apreciações" que faz aos resultados da venda de medicamentos sem receita fora da farmácia, e reafirmou que "o objectivo da redução dos preços, pela informação disponível que há, foi alcançado".
Para justificar esta conclusão, Francisco Ramos apoiou-se nos dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), que indicam uma descida média de cinco por cento no preço de venda destes medicamentos desde Outubro do ano passado, comparativamente ao seu custo antes da liberalização dos locais de venda.
Estes dados, segundo o Infarmed, foram recolhidos a partir de informação prestada por apenas 44 dos 161 pontos de venda já autorizados, mas indicam também que, apesar da baixa de preço, a tendência que se desenha é para o seu aumento progressivo.
O governante adiantou também que "só agora é que o Infarmed entendeu que tinha uma informação segura relativamente aos produtos de venda fora da farmácia" e que o instituto vai começar a recolher informação junto das farmácias.

