A direcção do CDS-PP decidiu hoje convocar o Conselho Nacional do partido para o dia 5 de Março, para abrir a discussão sobre a futura liderança às estruturas distritais e aos militantes.
"A eleição do futuro presidente deve resultar da vontade dos militantes e da vontade de um Congresso que é eleito democraticamente e não de um de um directório direcção cessante", afirmou o vice-presidente do CDS, António Pires de Lima.
O mesmo responsável negou que tenham sido discutidos nomes para a sucessão na reunião da comissão executiva, que se estendeu por cinco horas, onde estiveram presentes dirigentes que já manifestaram a sua indisponibilidade para liderar o partido, como Luís Nobre Guedes e Telmo Correia.
Questionado sobre estas recusas, o vice-presidente do CDS justificou-as com "a surpresa com a decisão" de Paulo Portas, que anunciou no domingo a sua demissão, na sequência dos maus resultados eleitorais do partido.
"Nós não estávamos preparados para a decisão do dr. Paulo Portas. É necessário um período de nojo para que naturalmente possam surgir candidaturas", afirmou Pires de Lima, afirmando a certeza de que "o projecto da democracia-cristã vai continuar".
O vice-presidente do CDS reafirmou a sua própria indisponibilidade para se candidatar à liderança do partido e afastou também a hipótese de Portas reconsiderar a sua posição. "O dr. Paulo Portas só tem uma palavra", disse.
Na reunião da comissão executiva, onde não compareceram dirigentes como António Lobo Xavier e Celeste Cardona, foram também analisados os resultados eleitorais de domingo, que deram ao PS a maioria absoluta e colocaram o CDS como quarta força política, com menos votos e deputados que em 2002.
"A esquerda tem hoje uma expressão eleitoral e parlamentar equivalente à que tinha em 1975 e 1976", sublinhou Pires de Lima, realçando que o PS "tem todas as condições para fazer um Governo sem quaisquer condicionalismos".
Do CDS-PP, garantiu, os socialistas podem esperar uma "oposição construtiva e responsável" e disponível para consensos em "matérias de Estado", como defesa e política externa.
No entanto, o vice-presidente democrata-cristão antevê dificuldades nos próximos quatro anos, em que a esquerda soma mais de 140 dos 230 deputados da Assembleia da República.
"Face ao actual desenho parlamentar prevemos choques políticos significativos ao nível dos valores e das ideologias", antecipou, garantindo que o CDS-PP irá "afirmar-se como um grupo parlamentar combativo na defesa de valores importantíssimos" para o partido, numa referência implícita à questão do aborto.


