O Conselho Nacional (CN) do CDS-PP deu por “esclarecido o assunto relativo ao dr. Nobre Guedes” depois de Paulo Portas admitir ter cometido uma falha de informação e alegado que apenas queria alterar a opinião de Nobre Guedes.
Aquele órgão reuniu-se ontem à noite, num hotel portuense, e aprovou uma deliberação apresentada pelo seu presidente, Pires de Lima, que aceitou “as informações prestadas” por Paulo Portas.
A deliberação foi aprovada com 100 votos favor e quatro abstenções, facto saudado por Portas depois de explicar aos conselheiros as razões do silêncio que manteve durante um ano sobre a demissão do vice-presidente centrista Luís Nobre Guedes.
Portas explicou que não recebeu um pedido oficial de demissão do ex-vice-presidente do CDS. “Se eu tivesse recebido uma carta formal de demissão e a tivesse fechado, como alguns disseram, a sete chaves numa gaveta, o próprio, que é uma pessoa respeitável, teria protestado”, sustentou.
Portas aceita crítica sobre falta de informação
O líder centrista reafirmou que a sua intenção foi procurar convencer Nobre Guedes a “mudar de opinião”, evitando assim a sua renúncia à política activa. “Foi isso que fiz e os factos são esses”, assegurou, justificando deste modo o seu silêncio.
“Também disse que admitia a crítica de não ter acautelado suficientemente os deveres de informação”, reafirmou, assumindo ter cometido “uma falha”. Portas acrescentou: “Em política, como na vida, é muito importante acertar, mas quando se comete uma falha acho é muito importante ser capaz de reconhecer que se cometeu essa falha”.
O dirigente salientou que o CDS, perante “uma questão delicada interna”, provou que era “capaz de a discutir democraticamente” em menos de uma semana. Paulo Portas concluiu por isso que “os conselheiros falaram e depois votaram de uma forma muito clara”.
Mas havia também alguma expectativa sobre se o Conselho Nacional discutiria outro tema passível de agitar o CDS: a eventual substituição de Diogo Feito por Pedro Mota Soares como líder parlamentar do partido, mudança esta, segundo notícias, patrocinada pelo próprio Paulo Portas.
Um conselheiro garantiu à agência Lusa que não se ouviu uma única palavra sobre esse tema no Conselho Nacional e Portas remeteu a questão para o domínio da “política ficção”, garantindo que “os deputados é que vão eleger a direcção da bancada logo no início do ano parlamentar”.
CDS vai propor alterações ao rendimento social de inserção
O presidente do CDS quer agora voltar a sua atenção para “o debate sobre a segurança” marcado para hoje no Parlamento, considerando que o seu partido possui “autoridade” para falar sobre tal assunto.
“Amanhã também”, continuou, o CDS apresentará medidas sobre “o que se passa verdadeiramente” com o rendimento social de inserção.
“Apoio toda a gente que trabalha e tenho o maior respeito por quem, por exemplo, trabalha para poder estudar e pagar os seus estudos. Não acho que seja função do contribuinte pagar subsídios a quem não quer trabalhar”, especificou.
Portas afirmou também que está agora concentrado no discurso que vai fazer a “rentrée” do seu partido, marcada para o dia 13, em Aveiro, prometendo aí falar sobre economia, “a questão muito séria da insegurança e o apoio a quem trabalha”.
A sua opinião é que “há muito para falar, meditar e sobretudo para propor do ponto de vista das alternativas a este governo”. O CDS decidiu este ano fazer uma “abertura de temporada na rua, junto do povo, com risco porque é uma praça grande”.


