Conselho Deontológico quer ouvir jornalistas do PÚBLICO e Diário de Notícias

18.09.2009 - 18:36 Por Lusa
O Conselho Deontológico do Sindicatos dos Jornalistas revelou hoje que pretende ouvir os jornalistas do PÚBLICO e do DN envolvidos na notícia que fez hoje manchete no jornal da Controlinveste, considerando que, a confirmarem-se os factos, o caso "assume gravidade".
"Só avaliaremos a questão em concreto (a substância destas matérias) depois de ouvir os envolvidos. Tomando conhecimento sobre a matéria publicada pelo DN, há de facto uma série de questões que exigem comprovação por parte do Conselho", disse hoje à Lusa o presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, Orlando César.
O Diário de Notícias (DN) avançou hoje que o assessor do Presidente da República Fernando Lima foi a fonte do diário PÚBLICO na sua manchete de 19 de Agosto, em plena pré-campanha eleitoral, segundo a qual já no ano passado Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo liderado por José Sócrates.
O DN publica uma alegada mensagem de correio electrónico entre Luciano Alvarez e o correspondente da Madeira, Tolentino de Nóbrega, com instruções para seguir pistas fornecidas por Fernando Lima, supostamente por ordem directa de Cavaco Silva.
O episódio que aumentou a desconfiança por parte da Casa Civil do PR terá sido protagonizado por um assessor jurídico de Sócrates, Rui Paulo de Figueiredo, por este ter seguido de perto a comitiva de Cavaco Silva na visita à Madeira, há um ano e cinco meses, na comemoração dos 500 anos do Funchal.
Apesar de ter tido acesso às informações na semana seguinte ao sucedido, o PÚBLICO só avançou para a publicação há um mês.
"A serem verdade - estes contornos - isto assume gravidade", afirmou Orlando César, acrescentando que o Conselho Deontológico do SJ vai "tentar esclarecer as questões".
Para o presidente do Conselho, neste caso, "colocam-se questões graves do domínio da instrumentalização e da verdade".
"Há uma série de questões que é preciso apurar para vermos claro: as relações com as fontes; a intervenção de fontes profissionais (em que medida podem instrumentalizar a informação); e a advertência da capacidade de clarividência do jornalista para avaliar o interesse das fontes", explicou Orlando César.
Quanto à publicação no DN de um alegado e-mail trocado entre um editor e um jornalista do PÚBLICO, Orlando César considera que existem duas formas de ver a questão.
"Pode ser considerado intromissão, o que é reprovável. Ou pode entender-se que a necessidade de divulgação põe termo a uma cortina de fumo", referiu, acrescentando ser necessário apurar se o e-mail divulgado é o correcto e como chegou a outros jornais.

