Mário Soares vai reduzir os ataques a Cavaco Silva, pelo menos no período de pré-campanha para as presidenciais, revelou um dos principais conselheiros do candidato apoiado pelo Partido Socialista.
Segundo este conselheiro, não identificado pela Lusa, "num primeiro momento", as críticas de Mário Soares ao ex-primeiro-ministro "justificaram-se por terem o objectivo de traçar um quadro de bipolarização na campanha".
"Mas esses ataques já não se justificaram no plano político, sobretudo a partir do momento em que Mário Soares conseguiu o essencial, que é a realização de um debate televisivo com Cavaco Silva", afirmou o responsável, adiantando que o candidato já concordou com a mudança estratégica. O frente-a-frente entre Mário Soares e Cavaco Silva vai decorrer a 20 de Dezembro, sendo transmitido pela RTP.
No mesmo sentido, um membro da Comissão Política da candidatura defendeu que a "campanha de instinto de Mário Soares tem de chegar ao fim", dando lugar a uma actuação política mais racional. O objectivo, adiantou, é surgir aos olhos dos portugueses "como o candidato da concórdia e da moderação".
"Por este caminho, também se consegue empurrar Cavaco Silva para a direita e Manuel Alegre para a esquerda", afirmou.
Os dois conselheiros entendem também que porta-voz da candidatura de Mário Soares, o ex-ministro Nuno Severiano Teixeira, deve ter “um papel mais presente na campanha". "É preciso que o porta-voz esteja mais em cima dos acontecimentos. As respostas a Alegre, por exemplo, deveriam ter partido do porta-voz e não do próprio Mário Soares", sustentou um dos principais colaboradores do ex-Presidente da República.


