Conselheiro da administração do PS poderá acumular esta função com Media Capital

20.04.2007 - 09:22 Por São José Almeida, Anabela Campos, PÚBLICO
José Lemos ainda não decidiu se vai abandonar as funções de acompanhamento e aconselhamento da gestão do património que desempenha no PS, agora que vai abraçar funções na administração do grupo de comunicação social Media Capital (MC), para onde entra em conjunto com o novo presidente da administração, Joaquim Pina Moura, que tornou anteontem desde logo claro que abandonava a vida política, quer os cargos na direcção socialista, quer o seu mandato de deputado à AR.
O próprio José Lemos declarou ao PÚBLICO que ainda está a analisar a questão e que o fará até à realização da assembleia geral da MC, proprietária da TVI e da Rádio Clube e controlada em 73,33 por cento pelo grupo espanhol Prisa, que aprovará a sua nomeação.
"O aconselhamento de gestão do PS não é um cargo executivo, não é uma função que tenha conflituado com a minha função nas empresas", afirmou.
Quanto à sua ligação à MC, diz que é antiga: "Conheci o engenheiro Pais do Amaral há muito e tenho contactos profissionais com ele há mais de uma década." Desmente porém aqueles que o apontam como um dos intermediários entre a Prisa e a MC, quando a empresa espanhola entrou no capital da empresa de comunicação social portuguesa. "Não tive qualquer papel relevante na entrada da Prisa na MC", afirma José Lemos. E acrescenta: "Acompanhei esse negócio apenas pelo conhecimento que tenho do engenheiro Pais do Amaral, não tive qualquer papel específico nesse negócio." Pais do Amaral, que vendeu a sua posição de liderança na MC à Prisa, irá deixar agora de ser chairman para dar lugar a Pina Moura.
Ligado à gestão do património do PS, em conjunto com Marcos Perestelo e José Lello, José Lemos poderá manter-se à frente da administração do PS e acumular esse cargo com as suas novas funções na MC. De acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO junto de membros da direcção do PS, não há nenhum impedimento legal a que José Lemos ocupe os dois lugares, isto porque as suas funções no PS são de aconselhamento de gestão e não adquirem contornos executivos, nem de actividade política.
Há mesmo quem lembre que José Lello é o presidente do conselho de administração da Assembleia da República.
Há cerca de 20 anos ligado ao PS, militância que diz ter iniciado praticamente em simultâneo com a actividade profissional no sector bancário e na área do mercado de capitais, Lemos adiantou ao PÚBLICO que terá um papel não executivo na MC, o que lhe permitirá continuar a sua actual actividade de consultor. José Lemos diz desconhecer a razão que levou o maior grupo de media espanhol a convidá-lo para o conselho de administração do canal líder de televisão em Portugal e rejeita a ideia de que o seu convite tenha qualquer ligação ao facto de ser socialista. Uma associação que surge pelo facto de a Prisa, detentora de títulos como El País, estar muito associada à esquerda e ao PSOE, tal como o seu accionista maioritário, Jesús Polanco, um dos mais influentes empresários espanhóis. Além disso, na altura em que a Prisa concorreu à compra da Global Notícias, então da PT, foi noticiado que o grupo espanhol terá solicitado o apoio de José Sócrates
Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), José Lemos, inibido de exercer actividades financeiras até 2010 na sequência do caso Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo (ver texto em anexo), dedica-se agora à actividade de consultoria a empresas. José Lemos garantiu ao PÚBLICO não ter qualquer actividade relacionada com empresas espanholas, um país com o qual diz ter actividades económicas apenas através dos seus clientes. "É pura especulação [a ideia que de tenho ligações políticas ao Partido Socialista Espanhol]. A minha ligação é com o mundo empresarial", sublinhou.

