Líder social-democrata sublinha renovação da comissão política nacional

Congresso do PSD: Marques Mendes desvaloriza ausência de "históricos" do partido

21.05.2006 - 12:58 Por Lusa, PUBLICO.PT

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O líder do PSD não se mostrou incomodado com a existência de 11 listas para o Conselho Nacional O líder do PSD não se mostrou incomodado com a existência de 11 listas para o Conselho Nacional (Estela Silva/Lusa)
O líder do PSD, Marques Mendes, afirmou hoje não ter sentido a falta de "históricos" no XXIX Congresso do partido, sublinhando terem estado presentes "todos os que puderam vir. Questionado sobre a ausência de figuras como Leonor Beleza, Rui Rio ou Mota Amaral na reunião magna dos sociais-democratas, Marques Mendes desvalorizou essas ausências.

"Todos os que puderam vir, puderam vir. Alguns, como Mota Amaral ou Rui Rio, estão impedidos, fora do continente, mas não deixaram de transmitir o apoio à minha pessoa", afirmou Mendes, depois de votar para os órgãos nacionais do partido, pouco antes do encerramento das urnas, marcado para as 11h00.

O líder do PSD não se mostrou incomodado com a existência de 11 listas para o Conselho Nacional, sublinhando que "é tradição do partido" e "um sinal de vitalidade".

Marques Mendes salientou ainda a importância da renovação que fez na sua comissão política nacional, com nomes como Assunção Esteves, Luís Pais Antunes e Manuel Lencastre para vice-presidentes. "Foi uma renovação parcial. É importante porque equipa que ganha não se muda totalmente, mas uma renovação devia existir", disse.

Na altura das votações, Nuno Delerue, apoiante do ex-adversário de Mendes Luís Filipe Menezes, criticou a possibilidade de alguns delegados ao congresso terem votado por correspondência, sublinhando que essa prática "não faz nenhum sentido nos dias de hoje".

"O voto deve ser pessoal e intransmissível. Essa excepção que tem razões históricas não faz hoje nenhum sentido", disse.

Delerue considerou "uma indignidade ver um delegado a votar por 30 ou 40 pessoas", sublinhando referir-se ao caso dos votos de delegados da Madeira e dos Açores que "foram dados ao actual chefe de gabinete de Marques Mendes", Pedro Vinha.

"Não está em causa uma questão de legitimidade mas está em causa a transparência", criticou.

Os delegados que chegaram para votar já depois das 11h00 - hora a que a presidente da mesa do Congresso, Manuela Ferreira Leite, tinha alertado por diversas vezes ser a de encerramento das urnas - já não o puderam fazer, o que gerou alguns protestos.

Miguel Relvas diz que ficou clara rejeição do partido à regionalização

O ex-secretário geral do PSD Miguel Relvas considerou hoje que "ficou clara a rejeição do partido ao projecto da regionalização", com o "chumbo" da proposta temática sobre esta questão, subscrita por Mendes Bota. "Ficou clara a rejeição do partido ao projecto da regionalização. Foi a única proposta temática rejeitada", disse Miguel Relvas, em declarações à Lusa.

Uma posição que, segundo o antigo secretário de Estado da Administração Local, "responsabiliza o partido para apresentar propostas concretas de descentralização de competências" do poder central, para as autarquias.

Das 22 propostas temáticas que foram a votos, apenas a que tinha como primeiro subscritor o deputado e líder da distrital de Faro, Mendes Bota, foi rejeitada pelos congressistas, com 256 votos contra, 151 abstenções e apenas 84 votos favoráveis. Esta proposta defendia a instituição em concreto das regiões, através de um referendo a realizar em 2007 ou, o mais tardar, em 2008.

Em declarações aos jornalistas depois das votações, Mendes Bota desvalorizou o "chumbo", preferindo destacar que, entre votos a favor e abstenções, "48 por cento dos delegados não a rejeitaram". "Estou muito satisfeito com a votação. Era uma moção de combate e fractura com a direcção do partido, neste aspecto concreto da estratégia do partido. Não era uma moção simpática, daquelas que fazem quase unanimidade", salientou Mendes Bota, considerando que o resultado representa "um sinal político" para a direcção de Marques Mendes.

Mendes Bota deixou ainda críticas à "forma prepotente, ditatorial e com dualidade de critérios" como a mesa conduziu os trabalhos, durante a apresentação e discussão das propostas temáticas. "Houve um boicote objectivo à defesa da proposta da regionalização, porque tínhamos uma série de delegados inscritos, que não falaram durante toda a tarde e noite e só começaram a ser chamados depois da votação", acusou, considerando que a moção da regionalização ficou "obviamente prejudicada".

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