Confissões religiosas não dão orientação de voto mas alertam para valores defendidos

19.09.2009 - 09:21 Por Lusa
As principais confissões religiosas em Portugal escusam-se a dar orientação de voto aos seus fiéis, mas esperam que tenham em atenção os valores que defendem quando colocarem a cruz no partido da sua preferência.
Responsáveis das comunidades católica, evangélica, judaica e muçulmana disseram à Lusa que orientação de voto não é com eles, mas admitiram esperar que na hora de escolher o futuro governo os seus seguidores tenham em mente os valores por que se regem face às várias propostas, nomeadamente as mais fracturantes.
Apenas no caso da comunidade judaica existe à partida uma exclusão para o eleitor: não pode votar em partidos que sejam contra a existência do Estado de Israel, considerada parte integrante da identidade judaica, disse à Lusa Eliezer di Martino, rabino da comunidade de Lisboa.
Em maior ou menor grau, os responsáveis daquelas quatro comunidades religiosas não escondem a sua oposição sobre questões como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a liberalização do aborto ou a eutanásia, ou seja, questões que "briguem com os valores" que defendem. Em comum têm também a recusa em considerar a sua posição sobre o casamento homossexual como discriminatória. Apenas defendem que não se deve tratar coisas diferentes como sendo iguais.
Para os católicos, o eleitor não pode "contrariar a sua fé, no Evangelho", sublinhou o padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que faz uma analogia com o desporto: "Se sou do Sporting não posso ir para os jogos do meu clube gritar pelas outras equipas", observou.
Para o sheik David Munir, imã da mesquita central de Lisboa, os eleitores muçulmanos têm de sopesar as propostas fracturantes que existam nos programas partidárias com outras positivas que possam também conter. Mas a comunidade não dita votos: "A mesquita é mais para fins espirituais e não políticos".
Também os cristãos evangélicos não dão orientação de voto nem têm intervenção activa numa campanha eleitoral, o que não aconteceria se estivesse em jogo um referendo sobre valores fundamentais "Aí sim, obviamente marcaríamos a nossa posição e claramente diríamos a nossa opinião e até incentivaríamos o povo a votar naquilo que são as nossas convicções", afirmou à Lusa o pastor Jorge Humberto, presidente da Aliança Evangélica (AEP), que reúne várias diferentes denominações cristãs não-católicas.
Recordando que, como religião bíblica, o judaísmo tem políticas de conservadorismo social, sobretudo relativamente à família, o rabino Eliezer di Martino referiu que aos eleitores mais cumpridores se colocam limitações na liberdade de voto face a propostas como o casamento e adopção de crianças por parte de casais homossexuais, o aborto e a fecundação artificial.

