Parlamento

Comissão de inquérito: escolha de relator produz primeira divergência entre PS e PSD

18.03.2010 - 14:02 Por Maria José Oliveira

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Mota Amaral preside à comissão de inquérito Mota Amaral preside à comissão de inquérito (Daniel Rocha)
A sessão da tomada de posse da comissão de inquérito sobre o negócio PT/TVI foi breve, mas sentiu-se um certo ambiente de solenidade. E assistiu-se à primeira divergência: o PS declarou logo que iria abster-se na votação do nome de João Semedo para relator. Mas no final da sessão, os socialistas admitiram ponderar sobre a proposta.

Eram 12h30 e os deputados do PSD que integram a comissão eventual já estavam sentados nos seus lugares, incluindo o presidente da comissão, Mota Amaral. “Agora falta saber onde está o PS”, dizia José Pacheco Pereira. Os socialistas chegaram cerca de cinco minutos depois: primeiro Osvaldo de Castro, o primeiro vice-presidente da comissão, seguido de Ana Catarina Mendes, Miguel Laranjeiro , Manuel Seabra e Ricardo Rodrigues, coordenador dos parlamentares socialistas neste inquérito parlamentar.

Quando todos os partidos estavam já representados, com os socialistas e os sociais-democratas sentados frente a frente, Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, entrou na sala para um breve e conciso discurso. Lembrou o requerimento feito pelo PSD e Bloco de Esquerda (BE) para a criação desta comissão, o objecto do inquérito e o prazo limite de 60 dias para produzir um relatório.

Também Mota Amaral concentrou as suas palavras no período de vida desta comissão, insistindo em pedidos de celeridade e apelos para que os deputados se concentrem “nos factos”: “Todos temos consciência da alta responsabilidade que cabe a esta comissão, que tem uma rigorosa limitação no tempo. Por isso, peço a todos um esforço para um aproveitamento rigoroso do tempo”, observou, alertando os partidos para evitarem a “dispersão por assuntos laterais”.

Mota Amaral afirmou ainda que recebera a proposta de escolher João Semedo para relator da comissão, mas não nomeou a origem da ideia e aludiu a um “consenso”. Isto foi o suficiente para abrir a primeira divergência entre socialistas e sociais-democratas.

Ricardo Rodrigues comunicou que o PS não tinha sido “contactado” sobre o assunto – o que configura “um mau indício, um mau presságio”, disse, e, não existindo consenso entre os socialistas sobre a escolha do deputado do Bloco de Esquerda, o grupo iria optar pela abstenção. Mas este sentido de voto poderá vir a ser alterado, uma vez que, depois de Rodrigues falar, o CDS/PP e o PCP esclareceram que também não tinham sido contactados, embora aprovassem a escolha.

Pedro Duarte, coordenador do PSD no inquérito, clarificou o tema, afirmando que não foi firmado qualquer “consenso prévio” entre a oposição e que a escolha de Semedo resultou de o facto de o BE ter sido um dos partidos proponentes desta comissão, juntamente com o PSD.

João Semedo, por fim, devolveu a crítica ao PS, considerando a posição dos socialistas como “um mau presságio”. E pediu ao PS para reconsiderar o seu voto. Um apelo que Ricardo Rodrigues admitiu analisar na reunião dos deputados socialistas, ao final da tarde de hoje.

A próxima reunião da comissão de inquérito foi agendada para terça-feira, às 16h00. Nela deverá ser aprovado o nome de Semedo para relator.

Estatísticas

  • 2754 leitores
  • 27 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1428252

Comentário + votado

Notícia

Já que não se notíciam factos verdadeiramente importantes aqui fica algo para ...

Diácono Venenos

18.03.2010 17:04

X

Mais em Política (5 de 12 artigos)

Francisco Assis admite que já é tempo de PS “começar a discutir” presidenciais