Política

Colóquio debate "projectos de governação" alternativos "à esquerda do socialismo oficial"

26.02.2010 - 16:13 Por Lusa

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Os "projectos de governação" e as "respostas à crise" existentes "à esquerda do socialismo oficial" serão temas centrais de um colóquio que sábado e domingo reunirá diversas personalidades de áreas "relevantes da vida do país".

Para Fernando Rosas, presidente da Cooperativa Cultural Trabalho e Socialismo (CULTRA), organizadora do colóquio "O que fará um governo de esquerda socialista", trata-se de "um contributo para sair do pântano político e ideológico".

"Trata-se de um colóquio programático, saber se à esquerda da situação estabelecida, se à esquerda do socialismo oficial, aquilo a que chamamos a esquerda socialista, se há ou não alternativas em termos de projecto de governação, de resposta política e económica para a crise no país", disse, em declarações à agência Lusa.

No colóquio, participam 20 personalidades divididas em 10 áreas: Saúde, Trabalho e Segurança Social, Política das Cidades e Ordenamento Territorial, Ambiente e Energia, Política Económica e Financeira, Justiça, Educação, Desenvolvimento Rural e Pescas, Política Externa e Defesa, Igualdade.

O coordenador nacional da CGTP, Carvalho da Silva, a médica Isabel do Carmo, o professor João Ferreira do Amaral, o advogado Teixeira da Mota, o dirigente da Quercus Francisco Ferreira, além do líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, e de outros deputados do partido, estão entre os oradores convidados.

"Achamos que é um contributo para sair desta espécie de pântano político e ideológico em torno da imprescindibilidade desta política de apertar o cinto por parte dos mais fracos, em termos de não haver alternativa se não os do costume pagarem os custos da crise, saber se não há outras alternativas para além daquelas que nos têm conduzido ao actual buraco económico e financeiro", acrescentou.

Fernando Rosas salientou, paralelamente, que o exercício proposto "não tem nada a ver com política eleitoral" ou partidária, mas tem o âmbito "mais profundo" de um debate centrado na "esquerda doutrinária e intelectual".

"Quais os desafios que se colocam ao país, se são aqueles que se traduzem no acordo que o governo actual fez com os partidos políticos da direita em torno de uma certa resposta à crise, que se traduz nesta política orçamental e no Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) que aí vem ou se, pelo contrário, pode haver uma reflexão alternativa à esquerda a essas políticas que impliquem menos sacrifício por parte de quem paga o sacrifício maior", questionou.

O organizador admitiu que do colóquio possa resultar uma publicação e apontou para Setembro uma nova iniciativa do género, "à volta da cimeira" da Aliança Atlântica, para saber se "há mais política externa para além da NATO".

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