O primeiro-ministro, José Sócrates, acusou hoje o PCP e o BE de sectarismo e de fazerem do PS o "inimigo principal", numa resposta às críticas daqueles partidos às propostas do Governo para alterar as leis laborais.
"Os partidos à nossa esquerda (...) falam da precariedade. O PS apresenta medidas contra a precariedade, medidas que nunca foram apresentadas, e ainda assim acham que devem continuar a atacar o Governo e o Partido Socialista. A isso chama-se sectarismo e puro facciosismo e vontade de atacar o PS e o seu Governo", afirmou José Sócrates.
O primeiro-ministro e secretário-geral do PS discursava num encontro com militantes em Vila Franca de Xira para apresentar a proposta do Governo para a revisão do Código do Trabalho, apresentada aos parceiros sociais no início da semana. Para José Sócrates, os partidos à esquerda do PS "há mais de 30 anos que têm uma doutrina", fazer do PS "o inimigo principal".
Quer o PCP e o BE, quer os movimentos de trabalhadores precários criticaram as propostas do Governo considerando que facilitam os despedimentos, e institucionaliza o recurso aos recibos verdes.
Na apresentação das medidas, José Sócrates, que falou depois do socialista Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, defendeu o fim das convenções colectivas de trabalho que "nunca caducam", considerando que são "um atraso de vida para a economia" e para os trabalhadores.
O Governo propôs que as convenções colectivas de trabalho caduquem ao fim de 10 anos, prevendo um período posterior de um ano e meio para nova negociação. "Temos que acabar com aquilo que é anacrónico", defendeu, perante os militantes socialistas.
Sobre as convenções colectivas, Vieira da Silva já tinha antes defendido a mesma ideia, dizendo que "não é moderno" que tais acordos perdurem até "à consumação dos séculos". "É uma proposta para dar às empresas oportunidades de se adaptarem. A rigidez e a imobilidade é um dos inimigos da criação de emprego", sustentou.


