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Representam um terço dos deputados

Cinco distritais do PSD contestam escolhas de Ferreira Leite

05.08.2009 - 19:21

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As listas de candidatos do PSD foram aprovadas por maioria no Conselho Nacional, mas as reacções negativas não têm parado de chover durante todo o dia, sobretudo das distritais de Lisboa, Aveiro, Setúbal, Faro, Aveiro e Viana do Castelo. Estes cinco círculos representaram, nas legislativas de 2005, 25 deputados: um terço dos 75 eleitos então pelo PSD.
Apesar da votação por maioria no Conselho Nacional, várias distritais enfrentam a líder criticando durante os nomes impostos Apesar da votação por maioria no Conselho Nacional, várias distritais enfrentam a líder criticando durante os nomes impostos (Adriano Miranda (arquivo))

Uma das últimas vozes críticas sobre o processo de escolhas dos candidatos veio de Jorge Neto. O deputado e presidente da Comissão de Orçamento e Finanças acusa a direcção do seu partido de promover o “divisionismo” na elaboração das listas e de ter marginalizado e ostracizado pessoas – que não quis nomear - de “grande qualidade”.

"Estou perplexo com o que se está a passar no PSD, não me revejo nas escolhas desta liderança para as listas. Havia uma oportunidade única de unir o partido e estas escolhas fracturaram e dividiram o partido de uma forma que eu considero grave", aponta Jorge Neto, que apoiou Ferreira Leite na disputa da liderança entre a actual presidente, Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes.

“Neste momento o que o partido precisava era de abrangência e abrangência significa pluralidade de escolhas e sensibilidades e não, como aconteceu, de uma forma completamente divisionista criar fracturar irreversíveis no partido em vésperas de dois combates eleitorais decisivos". Jorge Neto não tem dúvidas: "Foi um erro político grave que esta direcção cometeu."

A direcção do PSD reconhece que o afastamento de Passos Coelho das listas de candidatos às legislativas foi uma decisão "simplesmente política", mas garante que a avaliação do trabalho dos deputados na última legislatura pesou na composição das listas. Esta avaliação foi feita deputado a deputado por Manuela Ferreira Leite e os dois líderes parlamentares do grupo nos últimos anos - Paulo Rangel e Marques Guedes.

Couto dos Santos não é aveirense…
A escolha de Couto dos Santos (ex-ministro da Educação de Cavaco) para encabeçar a lista por Aveiro foi classificada de "infeliz e errada" por Ribau Esteves, ex-secretário geral do partido, por o candidato "não ter nada a ver" com o distrito. "Perdeu-se a possibilidade de termos um cabeça-de-lista que tenha referências no distrito e trabalho político que seja útil para Aveiro", afirmou à Lusa Ribau Esteves, que é também presidente da Câmara de Ílhavo. Mas acrescentou que se a escolha fosse Pacheco Pereira seria "mil vezes pior", justificando que o ex-eurodeputado social-democrata "atenta contra o bom nome do PSD e a fortaleza política do partido há muitos anos". Ribau Esteves deu ainda nota negativa ao facto de não haver candidatos com menos de 30 anos entre os 10 primeiros lugares da lista.

… nem Bacelar algarvio
“Mau serviço prestado ao Algarve”: é assim que Desidério Silva, vice-presidente da Distrital de Faro apelida a designação do constitucionalista Bacelar Gouveia para cabeça-de-lista nas próximas eleições legislativas pela região. "O PSD em vez de optar uma mais-valia regional não poderia fazer pior", preferindo um "cabeça-de-lista que é totalmente desconhecido para a região", sem qualquer ligação ao Algarve, afirmou Desidério Silva, que é também presidente da Câmara de Albufeira.

A distrital havia indicado o seu presidente, Mendes Bota, para cabeça-de-lista, sustentando a proposta à direcção nacional com uma sondagem que dava uma "vitória ao PSD no distrito". Bacelar Gouveia é uma "escolha que representa uma desconsideração dos algarvios”. "Acho inadmissível que se escolham candidatos que nada têm a ver a com a região", acrescentou Desidério Silva, considerando assim que o PSD não pode explorar a vantagem de o PS ter escolhido "um pára-quedista" para primeiro da lista, numa referência a João Soares.

Negrão desprezou Setúbal
Em Setúbal, onde a líder impôs Fernando Negrão, a comissão política distrital vai reunir-se hoje à noite para reflectir sobre esta escolha e decidir a marcação de uma assembleia distrital. Na terça-feira, Bruno Vitorino apelou à presidente do partido, Manuela Ferreira Leite, para reequacionar a escolha de Fernando Negrão como cabeça-de-lista pelo distrito, em nome da "credibilidade".

Segundo Bruno Vitorino, depois de ter sido eleito em 2005 pelo distrito de Setúbal, Fernando Negrão manifestou um "total desprezo" pelo distrito, sobretudo quando trocou o lugar de vereador na autarquia setubalense pelo de vereador na Câmara de Lisboa.

Arguidos em Lisboa
Em Lisboa, a integração de António Preto e Helena Lopes da Costa, ambos arguidos em processos judiciais, é classificada pelo líder da distrital como um “erro político grave que vai ter consequências para o PSD”. Carlos Carreiras considerou contraditório que a líder se tenha comprometido com legislação que impeça a candidatura de autarcas arguidos para a próxima legislatura mas não aplique estes pressupostos.

Carlos Carreiras considera que a Comissão Política Nacional prestou “um mau serviço” ao partido e ao país, acrescentando que “os valores que foram sempre defendidos não foram aqueles que foram praticados”.

Viana do Castelo desautorizada
Desautorizado duas vezes em pouco tempo pelos órgãos nacionais, retirado de segundo e passado para quarto lugar nas listas pelo círculo de Viana do Castelo, o presidente daquela distrital está ainda a equacionar de aceita ou não integrar a candidatura. Nas últimas Legislativas, o PSD elegeu dois deputados pelo círculo de Viana do Castelo.

A lista de Viana do Castelo apresenta como número um José Eduardo Martins, seguido de Luís Campos Ferreira, a exemplo do que aconteceu em 2005. No terceiro lugar figura Ivone Rocha, seguida por Eduardo Teixeira. Na lista entregue à líder do partido, Teixeira estava em segundo lugar.

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