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Cidadãos 2.0

24.01.2010 - 11:50

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Contestação a eleições, entusiasmo por novos candidatos ou ódio a políticos veteranos fazem aumentar participação política na Web social.

Portugal

Conversas em circuito fechado


A participação política nas redes sociais e nos blogues está a aumentar em Portugal, mas continua a servir apenas uma comunidade restrita. É esta a opinião dos investigadores ouvidos pelo PÚBLICO a propósito do impacto da política na Web e da sua influência nos media e na sociedade em geral.

Para João Canavilhas, professor na Universidade da Beira Interior, os blogues políticos perderam parte do impacto que tiveram no passado: "O período áureo dos blogues políticos foi entre 2003 e 2006. Depois disso, deixaram de ter tanto peso, até porque muitos dos bloggers passaram a ter os seus próprios espaços nos meios de comunicação tradicionais."

Além disso, os blogues funcionam como "uma espécie de sessões de esclarecimento a seguir ao 25 de Abril, onde só apareciam pessoas ligadas ao próprio partido e um ou outro curioso": "A sensação que tenho é que a sua influência é apenas junto dos media e de uma elite, que amplia a sua mensagem. A importância junto da população em geral é nula."

Em sentido idêntico vai a opinião de Nuno Gouveia, investigador da Universidade Fernando Pessoa e autor de uma tese de mestrado sobre a utilização das redes sociais nas primárias democratas nos Estados Unidos: "Os blogues têm impacto apenas junto dos políticos, dos opinion makers e nos media", diz. "Os blogues políticos com maior audiência ficam-se pelas 4000/5000 visitas diárias, um número muito baixo quando comparado com os valores de qualquer órgão de comunicação social."

Nuno Gouveia acha que "o público em geral ainda não lê os blogues, apesar de a audiência ter vindo a aumentar": "O circuito não é grande em Portugal, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, por exemplo."

No trabalho que realizou sobre as eleições americanas, Nuno Gouveia analisou a utilização dos candidatos das redes sociais e sublinha: "A rede MyBarackObama.com tinha três milhões de participantes quando a campanha acabou: um verdadeiro exército de fiéis."

António José Fernandes, repórter de imagem na RTP e estudante na Universidade de Aveiro, está a fazer a tese de doutoramento sobre o uso das redes sociais pelos partidos, nomeadamente o Facebook, durante as legislativas de 2009. "Há alguma participação nas redes sociais, mas essa participação não aumenta o valor do debate ou do discurso", diz o investigador. "A participação é circunstancial, não há análise política, discussão de temas ou dos programas." Durante as legislativas de 2009, houve apenas "dois ou três breves momentos" em que se discutiram as propostas ou os programas dos partidos nas páginas criadas no Facebook. Em geral, diz António José Fernandes, os partidos da oposição utilizaram mais o Facebook, enquanto o PS usou a rede social criada para José Sócrates, à semelhança da campanha de Obama. A participação no site de Sócrates foi "menor e mais controlada". A exigência de registo e identificação terá sido, segundo o investigador, a razão para a menor participação. "Apesar de o PS ter gasto mais dinheiro, não tirou partido disso, e o debate travou-se mais em circuito fechado." António Granado

EUA

Política 2.0

A política dos EUA entrou absolutamente na era digital 2.0. Não há nenhuma campanha eleitoral, causa social, candidato ou opinion maker arredado da Internet. Nenhuma campanha, candidato ou movimento consegue recolher atenções, simpatizantes, votos ou dinheiro sem uma enorme exposição online - a realidade é que os americanos passam cada vez mais tempo em frente ao computador e os meios tradicionais, por si só, não garantem o sucesso junto do público.

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