O escultor João Cutileiro considera que chegou a altura de fazer um novo busto alegórico da República porque aquele que foi criado há cem anos "é uma cópia do francês, e não é apropriado" para representar Portugal.
"Faz-me muita impressão que o nosso busto da República seja uma cópia do francês, e que ainda por cima tenha elementos que nada tenham a ver com Portugal, como o barrete frígio", símbolo da Liberdade, usado na Antiguidade pelos habitantes da Frígia, na Ásia Menor, onde se situa hoje a Turquia.
Ao contrário do que tem acontecido em França, onde a efígie tem sido modificada ao longo dos tempos, inspirada em figuras públicas - como foi o caso de Brigitte Bardot, e, mais recentemente, de Laetitia Casta - o busto português vai continuar inalterado, segundo a Comissão das Comemorações do Centenário da República de 2010.
Em Portugal, artistas como Francisco Santos, Costa Mota e Júlio Vaz criaram bustos alegóricos da República em 1910, mas o mais difundido oficialmente foi o de José Simões de Almeida (1880-1950), conhecido por Simões de Almeida (sobrinho) por distinção do tio, seu homónimo e também escultor.
"Talvez os portugueses não estejam muito interessados em mudar porque ao longo do tempo tornou-se a nossa imagem de marca", comentou ainda o escultor, de 71 anos, em declarações à Agência Lusa.
João Cutileiro foi convidado, entre outros artistas, a criar uma imagem da República para um selo a emitir pelos CTT no decurso deste ano em que se celebra o centenário.
Se fosse convidado a criar um novo busto, o escultor ficaria "muito honrado, mas não seria uma tarefa fácil", comentou.
"Tem que ser um busto reconhecível. Na França têm mudado as mulheres que servem de modelo, mas o busto em si não muda muito, tem continuado reconhecível", avaliou.
As comemorações oficiais do centenário da República começam dias 30 e 31 de Janeiro, no Porto, e vão decorrer ao longo do ano.


