O chefe da Polícia Judiciária Militar (PJM), Fernando Maia, considerou hoje que as associações de militares "estão a pôr em causa" valores essenciais à instituição militar com os protestos para contestar medidas do Governo.
"Com determinadas atitudes estão a pôr em causa (os valores da instituição militar). As associações militares têm os seus estatutos e é dentro dessas baias que devem funcionar e colaborar e dialogar com as chefias ... dá-me a impressão que quando não estão autorizados a fazer qualquer coisa, que se manifestam, saem das baias", disse.
As afirmações do major general Fernando Maia foram feitas na cerimónia do primeiro aniversário da nova Polícia Judiciária Militar, presidida pelo ministro da Defesa, Luís Amado, que se escusou a responder a perguntas dos jornalistas.
Na ocasião, o chefe da PJM sublinhou que a instituição militar "tem uma hierarquia, uma cadeia de comando e uma linha de conduta" que não podem ser postas em causa por "nada de desviante”, nem ultrapassadas por "ninguém em efectividade de serviço".
Uma mensagem que tem como destinatários "todos aqueles que acharem que substituem a hierarquia ou a cadeia de comando" existentes, especificou depois Fernando Maia.
Quanto à nova manifestação anunciada pelas associações de militares para a próxima quarta-feira, convocada desta vez por familiares, o chefe da judiciária militar foi peremptório. "Ninguém pode convocar uma manifestação se não houver autorização para que isso possa acontecer. Há leis, estatutos e regras que devem ser cumpridas", disse, escusando-se a comentar "o subterfúgio" encontrado pelas associações.
Os militares contestam o aumento da idade da reforma e as alterações ao sistema de saúde.
O director da PJM considerou que os inquéritos de que alguns militares estão a ser objecto, na sequência da sua participação em acções de protesto das associações, "são problemas puramente disciplinares" que, nesta fase, não envolvem a polícia criminal das Forças Armadas.
Mas, advertiu, se os militares "ultrapassarem determinadas metas" a Judiciária Militar será "naturalmente" accionada.


