CGTP e UGT lamentam gesto de Manuel Pinho e tecem críticas às suas políticas

02.07.2009 - 22:30 Por Lusa, PÚBLICO
A CGTP considerou lamentável a atitude do ministro da Economia, Manuel Pinho, hoje no Parlamento, mas também teceu fortes críticas à política que seguiu ao longo dos últimos quatro anos no Governo. Já o presidente da UGT, João Proença, afirmou que a central sindical "nunca teve uma opinião muito favorável da prestação do ministro".
"É lamentável o gesto e a atitude que Manuel Pinho na Assembleia da República, mas mais do que isso é lamentável a política que veio desenvolvendo ao longo dos últimos quatro anos", disse Deolinda Machado, da comissão executiva da Intersindical. Para a central sindical, Manuel Pinho "foi um mero quadro ao serviço dos interesses económicos e financeiros" em vez de ser "um ministro da economia como lhe competia e de desenvolver políticas de desenvolvimento para o país".
Para o presidente da UGTo ministro da Economia não tinha outra opção, face ao sucedido. "Face ao que se passou [o incidente no Parlamento com o gesto de chifres de Pinho] mesmo que ele não apresentasse a demissão, creio que o primeiro-ministro o iria demitir", sublinhou.
Questionado sobre o facto de a demissão de Manuel Pinho surgir na sequência de um gesto no parlamento - sem nenhuma referência do primeiro-ministro às políticas económicas seguidas - Proença realçou a gravidade do acto e lembrou exemplos passados. "Lembro-me que Cavaco Silva fez algo semelhante a um ministro do Ambiente", recordou Proença, numa referência à demissão do ministro Carlos Borrego depois de publicamente ter feito uma piada acerca de alentejanos que se submetiam a hemodiálise.
Por sua vez, o presidente da Confederação das Indústrias Portuguesas (CIP) salientou que a demissão de Manuel Pinho era "inevitável", devido ao episódio ocorrido hoje no Parlamento, apesar de considerar que o seu trabalho "deixou Portugal no mapa". "Ele trabalhava 16 horas por dia. Deixou Portugal no mapa por acções exclusivas dele. Não se pode retirar-lhe esse mérito. Mas tinha intervenções pouco substanciais e 'engraçadas'", referiu Francisco van Zeller.
Solução “adequada”
A Associação Industrial Portuguesa (AIP) considerou "adequada" a solução de ter o ministro das Finanças a acumular a pasta da Economia até ao final da legislatura, na sequência da demissão de Manuel Pinho. "É de louvar a forma expedita como o primeiro-ministro enfrentou a situação e encontrou a adequada solução para gerir os assuntos da economia até ao fim da legistatura", indicou o presidente da AIP, Rocha de Matos, numa declaração escrita.
"A AIP considera digna a atitude do ministro da Economia. Cometeu um erro na casa da democracia, mas demonstrou um grande respeito pela sua função institutucional e pelos parlamentares ao assumir esse erro, demitindo-se de imediato", comentou Rocha de Matos. Para o presidente da AIP, Manuel Pinho deixa "obra feita" em várias áreas económicas.
O presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), João Machado, saudou hoje a demissão do ministro Manuel Pinho, mas afirmou que José Sócrates "tem dois pesos e duas medidas" e exigiu a saída do ministro Jaime Silva. "Acho que é uma reacção arrogante de um ministro que espelha a reacção arrogante de um Governo", considerou João Machado.
O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Basílio Horta, disse que "a agência irá tratar com qualquer governante com a mesma lealdade, porque o seu papel é servir o Estado". Basílio Horta diz que, como a demissão de Manuel Pinho é uma questão política, não quer comentar, mas salienta, questionado sobre a acumulação de pastas por parte de Fernando Teixeira dos Santos, que "a Agência trabalhará com lealdade qualquer que seja o rearranjo [governamental] porque a missão é servir o Estado".
O vice-presidente da Associação Empresarial Portuguesa (AEP) lamentou hoje a demissão. O responsável salientou a "relação muito próxima" da associação com o ministro. "É um ministro com um papel importante. Uma pessoa que nos habituou a ouvir e a tentar resolver os problemas dos empresários portugueses", referiu.


