Centenas de militares dos três ramos das Forças Armadas, alguns deles fardados, concentraram-se ao final da tarde no Rossio, em Lisboa, num “passeio” de protesto contra os cortes orçamentais para a área da Defesa.
Alguns dos participantes na acção, acompanhados de familiares, concentraram-se na praça lisboeta, misturando-se com os transeuntes, enquanto outros circulavam pela zona, observando as montras das lojas vizinhas.
Dois oficiais da Marinha, que não quiseram ser identificados, disseram não temer os processos disciplinares que o Governo e as chefias militares ameaçaram aplicar aos participantes na iniciativa, que classificam de “manifestação ilegal”.
"Não estou a manifestar-me, estou a passear. Não são os chefes militares que me impedem de passear", disse um deles, primeiro-tenente da Armada no activo.
O oficial na reserva José Fernandes Torres, porta-voz da comissão que organizou a acção de protesto, compareceu fardado, anunciando que iria fazer um balanço da iniciativa no final do passeio.
Na origem da acção, estão as propostas orçamentais que prevêem a redução em cerca de 50 por cento nas verbas para as despesas com a saúde dos militares e familiares; a diminuição em 25 por cento nas verbas destinadas às remunerações de reserva e a redução de cerca de 900 efectivos.
O protesto foi proibido ontem pelo Governo Civil de Lisboa, alegando que os seus organizadores não entregaram um pedido de autorização para realizar a manifestação. Contudo, a comissão organizadora considerou esta decisão ilegal, garantindo que o que está em causa não é uma manifestação – que os militares estão proibidos de integrar – mas apenas um passeio.
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