O Chefe de Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Melo Gomes, apelou hoje, para que a “cíclica miopia marítima que tem afectado Portugal nos últimos anos, não sofra uma recaída irreversível" e considerou "imprescindíveis" os novos submarinos. “A miopia marítima é factor que atravessou a nossa história e sempre que Portugal não se preocupou com o mar, nós tivemos um decréscimo do nosso impacto perante outras nações e perante amigos e adversários”, explicou.
No seu discurso durante a Cerimónia de abertura do Ano Operacional da Marinha de Guerra Portuguesa, o almirante destacou a aquisição dos dois novos submarinos – o “Tridente” (actualmente a efectuar provas no mar e será recebido em 2010) e o “Arpão”, chegará em 2011.
Relembre-se que durante o tradicional jantar do PS do 05 de Outubro (Alenquer), Almeida Santos, presidente do Partido Socialista, afirmou que Portugal “não precisa de submarinos para nada”, defendendo antes a compra de armas.
“Devo ser um bocado burro mas não consigo descobrir porque é que nós precisamos de dois submarinos”, questionou fazendo votos de que José Sócrates e o ministro da defesa sejam da mesma opinião porque “precisamos urgentemente de vender os submarinos para comprar armas que sejam úteis e necessárias para a defesa das nossas águas marítimas”, considerou.
Questionado pelos jornalistas sobre estas declarações, o almirante Melo Gomes referiu que “não se atreve a tecer comentários sobre uma figura com estatuto que tem o Dr. Almeida Santos”.
No entanto, defende que ter submarinos é caro, sem dúvida muito caro, mas muito mais caro seria não os ter em especial para as gerações que nos sucedem”, alertando para “os valores e necessidades que Portugal tem para cumprir as suas missões e os seus deveres no mar”.
“São imprescindíveis à salvaguarda da sua segurança e da sua soberania”, sublinha.
O almirante Melo Gomes considera Almeida Santos um “expoente da nossa democracia” e o conteúdo das suas declarações - para a Marinha - “é bom que se debatam as questões, porque estamos certos da nossa razão de que a arma submarina é imprescindível à afirmação dos interesses de Portugal no mar, portanto, estamos prontos a debater os diversos pontos de vista e ideias porque isso é salutar em democracia”.
“Continuo a defender que o mar é uma oportunidade que está aí e que devemos aproveitar e é neste sentido que eu falo e apelo à opinião pública para que debata este assunto e para que os portugueses voltem a interessar-se de novo por aquilo que é na minha opinião um dos seus principais activos”, rematou.


