Depois dos portáteis e dos computadores no plenário, agora os gabinetes dos deputados. A Assembleia da República gastou 100 mil euros para apetrechar os gabinetes dos parlamentares com um terceiro terminal informático.
Nas últimas duas semanas, os deputados foram informados por e-mail que vão receber "computadores de mesa" que permitem "o acesso dos deputados à mesma área de trabalho, independentemente de se encontrarem no gabinete ou no plenário". Segundo a missiva, os equipamentos são "terminais virtuais de tecnologia idêntica aos existentes na Sala das Sessões". O PÚBLICO contactou o gabinete da secretária-geral da AR, Adelina Sá Carvalho, que confirmou a aquisição de novos equipamentos, mas precisou não se tratar de computadores de mesa. De acordo com Maria do Rosário Bóleo, adjunta da secretária-geral, os gabinetes serão equipados, não com um computador, mas sim com "um terminal thin-client que permite a ligação à bancada electrónica parlamentar".
Contactado o presidente do conselho de administração (órgão de consulta e gestão da AR), José Lello este explicou que o investimento foi feito "no sentido de apetrechar os deputados com um sistema idêntico ao plenário que também não é propriamente um computador, porque tem menos meios". "Não se pode, por exemplo, imprimir", explicou. O deputado socialista acrescentou ainda que o novo equipamento nos gabinetes é essencialmente "uma antena" informática.
Um terminal thin-client tanto pode ser um programa de software como um computador mais simples, com menos hardware que um desktop tradicional. Serve essencialmente para permitir o acesso a uma rede ou a um servidor, recorrendo principalmente a um equipamento informático já existente. Serve pois, essencialmente, para receber e enviar e-mails e navegar na Internet.
O gabinete da secretária-geral acrescentou ao PÚBLICO que o novo material servirá para a "substituição dos desktops com mais de oito anos de vida útil" que os deputados tinham nos seus gabinetes. Precisou ainda que a aquisição foi feita à empresa Compta, em 2009, por 101.860 euros, "na sequência da abertura de um concurso público internacional". A mesma empresa que equipou o plenário.
Além dos terminais existentes no plenário - que foram instalados em 2009, coincidindo com a reabertura do hemiciclo após os trabalhos de recuperação da sala de debates da AR - todos os deputados recebem um computador portátil no início da legislatura quando iniciam funções. São devolvidos pelos deputados que cessam funções. A AR explicou ao PÚBLICO que no início desta legislatura foi necessário comprar mais 50 portáteis. Os restantes deputados foram equipados com portáteis que já existiam.
O investimento com os thin-client avançou, ao contrário de outras despesas previstas na AR, que foram travadas por serem consideradas muito altas. O "Expresso" noticiou no sábado que o conselho de administração rejeitou um orçamento de 380 mil euros para a edificação de uma sala de fumo, uma estrutura em metal e vidro com cerca de 29 metros quadrados. Recusou ainda gastar 60 mil euros numa peça de teatro da Companhia Artistas Unidos, pretendida pelo presidente da AR, Jaime Gama, para comemorar o centenário da República.


