O anúncio da estratégia do CDS-PP para as próximas eleições marcou o final do primeiro ano de regresso de Paulo Portas à liderança dos democratas-cristãos, durante a qual fez pontaria ao Governo, processou um ministro e ouviu críticas internas.
Após um ano "virado" para a oposição ao Governo sobretudo nas áreas fiscal, educação, saúde e idosos, Paulo Portas entrou em discurso pré-eleitoral ao definir as prioridades do CDS-PP para o próximo ciclo eleitoral de 2009.
O crescimento do CDS-PP para "tirar a maioria absoluta ao PS" e recados ao PSD avisando que os democratas-cristãos não serão "boleia de ninguém" foram as linhas principais do discurso de Paulo Portas, no encerramento das jornadas parlamentares do partido, terça-feira passada.
"Quando decidi candidatar-me à presidência do CDS fui muito claro. A prioridade do CDS é crescer. Não estamos à espera da boleia de ninguém nem estamos para dar boleia a ninguém. O país precisa de uma direita mais forte e o CDS é muito diferente do PSD", afirmou.
Portas anunciou em Março do ano passado que queria voltar à liderança do CDS-PP tendo sido eleito a 21 de Abril com quase 75 por cento dos votos, após um processo polémico que culminou no afastamento de Ribeiro e Castro da liderança.
No plano interno, o ano de Portas foi de consolidação como líder, com as vozes críticas a fazerem-se ouvir, mas sem se apresentarem como alternativa.
As críticas surgem sobretudo por parte de militantes afectos à direcção anterior de Ribeiro e Castro, que começaram por criticar o mau resultado eleitoral do partido nas intercalares de Lisboa.
Logo a seguir à derrota, os "castristas" foram ao Conselho Nacional pedir a Portas que ficasse no partido "para se enterrar até ao fim".
Apoiantes de Ribeiro e Castro como Martim Borges de Freitas e o histórico Narana Coissoró têm lançado regularmente críticas a Portas por posições assumidas e pelos resultados do partido, que surgiu com 6 por cento nas últimas sondagens.
Insatisfeitos com o rumo do CDS-PP, vários ex-dirigentes e militantes, entre os quais Ribeiro e Castro e o deputado José Paulo Carvalho organizaram "clubes de reflexão" enquanto outros membros da anterior direcção, como Pedro Pestana Bastos e Pedro Melo, apresentaram o movimento Alternativa e Responsabilidade.
Este último grupo recuou na decisão de disputar a distrital de Lisboa do CDS-PP ao deputado António Carlos Monteiro, com críticas à forma como o partido conduziu o processo eleitoral interno, antecipando-o, o que foi visto como o "fechamento de um partido que tem medo" de novas ideias.
As críticas surgiram também devido aos casos judiciais que envolveram ex-ministros do CDS-PP. Anacoreta Correia e Narana Coissoró defenderam que a credibilidade do líder democrata-cristão e do CDS-PP está prejudicada em consequência desses casos, que consideram mal explicados.
Em Julho de 2007, o antigo mandatário financeiro do CDS Abel Pinheiro foi acusado de tráfico de influências no âmbito do processo Portucale, aguardando o início do julgamento.
O "caso Portucale" relaciona-se com o despacho que declarou a "utilidade pública" de um projecto do GES para um empreendimento turístico na herdade da Vargem Fresca, em Benavente, autorizando o abate de mais de 2.500 sobreiros e que foi assinado pelos ex-ministros Costa Neves (Agricultura), Nobre Guedes (Ambiente) e Telmo Correia (Turismo), mas os ex-governantes ficaram de fora do despacho de acusação.
Outro caso que envolveu directamente o líder do CDS-PP e ex-ministro da Defesa Paulo Portas surgiu na campanha das intercalares de Lisboa, com notícias que davam conta de suspeitas de financiamento ilegal do partido e dúvidas sobre o concurso de compras de submarinos, alegadamente a partir de informações que constam do processo Portucale.
Nessa altura, Paulo Portas anunciou que iria processar o Estado por violação do segredo de Justiça no âmbito do caso Portucale e exigir uma indemnização.


