CDS-PP: Nobre Guedes afasta participação no Congresso e culpa Paulo Portas

14.12.2008 - 15:25 Por Lusa
O ex-vice-presidente do CDS-PP Luís Nobre Guedes, que falhou a eleição ao XXIII Congresso do partido, afastou hoje a hipótese de ir à reunião magna dos democratas-cristãos defender a sua moção de estratégia.
“Ir como delegado era a única forma em que eu admitia participar no Congresso. Constato que não fui eleito. Os militantes não quiseram, acho que o dr. Paulo Portas não quis, a vida não acaba”, afirmou Nobre Guedes, em declarações à agência Lusa.
Luís Nobre Guedes, militante de base desde que abandonou a vice-presidência do CDS-PP no ano passado, candidatou-se a delegado pela concelhia de Lisboa. As candidaturas a delegado são uninominais e qualquer militante pode apresentar-se. Segundo fontes do partido, Nobre Guedes não foi eleito no sábado “por poucos votos”.
“Quando fui oposição a Manuel Monteiro, fui eleito delegado e até com uma margem grande. Agora os militantes não quiseram ou o dr. Paulo Portas não quis, por isso está decidido”, acrescentou.
O antigo “número dois” de Paulo Portas, reeleito presidente do CDS-PP, tinha anunciado recentemente a intenção de ir ao Congresso de Janeiro defender uma estratégia diferente da do líder.
Coligação pré-eleitoral fazia parte da estratégia
Sem o estatuto de delegado, Nobre Guedes não poderia participar nas votações no Congresso, que aprovará a estratégia política e mudanças estatutárias e elegerá os órgãos dirigentes para 2009/2010.
No entanto, apesar de ficar de fora da lista de delegados, poderia, se assim o quisesse e com autorização do congresso, apresentar a sua moção na reunião magna dos democratas-cristãos. O regulamento do Congresso prevê que as propostas de orientação política, económica e social podem ser apresentadas desde que sejam subscritas por 200 militantes.
A eleição de 678 delegados ao XXIII Congresso do CDS-PP decorreu ontem entre as 15h00 e as 21h00, em simultâneo com a eleição directa do líder e de 39 concelhias e três distritais.
Numa entrevista ao “Expresso”, Nobre Guedes defendeu uma coligação pré-eleitoral com o PSD – ideia já afastada por Paulo Portas – e considerou, por outro lado, possível “um entendimento de unidade nacional” entre PS, PSD e CDS-PP.
Nobre Guedes candidatou-se a delegado para ir ao congresso defender a sua proposta de orientação política, que já tinha título: “A audácia da mudança”.

