CDS-PP dramatiza discurso contra a extrema-esquerda e o “centrão”

19.09.2009 - 08:07 Por Sofia Rodrigues
O líder do CDS-PP dramatizou, ontem à noite, tom das críticas contra o PS e o PSD, ao mesmo tempo que outros dirigentes do partido acentuaram as críticas às nacionalizações propostas pelas “extrema-esquerda”. E pela primeira vez, um dirigente do partido arriscou colocar a meta eleitoral dos “dois dígitos”.
“O PS trabalhou mal e o PSD – lamento dizê-lo – trabalhou pouco. O PS é já visto e o PSD não apresenta uma visão para Portugal”, disse Paulo Portas, num jantar-comício em Famalicão, com cerca de 650 pessoas.
Entre “rosas e laranjas”, Portas diz encontrar muitas semelhanças em áreas como a agricultura ou a segurança. “O PS foi um desastre na agricultura, o PSD esteve caladinho sobre agricultura até haver campanha eleitoral”, exemplificou Portas, lembrando que também na questão do rendimento mínimo, “um é a favor [do actual sistema], o outro não muda”. Em suma, conclui Portas, “PS e PSD são um bocadinho cotas, não na idade mas na atitude”.
Antes de Paulo Portas, e na mesma linha de raciocínio, o vice-presidente do partido e eurodeputado Nuno Melo apontou as contradições do PSD, lembrando que o cabeça de lista por Braga, João de Deus, defende o bloco central. Quanto à extrema-esquerda, Nuno Melo apontou o dedo às nacionalizações. “É muito fácil dizer nacionaliza-se. Mas quem paga?”, questionou, trazendo “fantasmas” do passado: “Em 1975, já fizeram e não pagaram”. O deputado europeu apelou ainda ao voto no CDS para que “Portugal não seja o único país da Europa em que estalinistas, leninistas, trotskistas têm mais de 20 por cento dos votos”. “Não é normal”, acrescentou.
Quanto ao CDS, Nuno Melo arriscou avançar com a fasquia para o dia 27. “É agora que o CDS vai chegar aos dois dígitos”, disse, recebendo um forte aplauso.
A diabolização da extrema-esquerda foi também uma das marcas do cabeça-de-lista por Braga, Telmo Correia. “Aqueles que hoje falam com voz melada, em 75 queriam nacionalizar tudo, queriam ocupar tudo e sanear as empresas. Levámos 20 anos a recuperar”, afirmou Telmo Correia.
Pela primeira vez, desde o início da campanha eleitoral, o comício terminou ao som do hino nacional, depois do habitual hino do CDS, uma herança da era Manuel Monteiro.

