O deputado do CDS-PP Nuno Magalhães condenou hoje o "silêncio" do primeiro-ministro sobre a recente onda de criminalidade registada em Portugal e criticou a "descoordenação" governamental nos últimos dias.
"O que se tem passado nos últimos dias tem assumido a maior das gravidades. O ministro da Administração Interna reuniu-se com o Procurador-Geral da República para criarem brigadas anti-crime quando o combate da criminalidade violenta é da exclusiva competência da Polícia Judiciária, tutelada pelo Ministério da Justiça", afirmou o deputado centrista. Nuno Magalhães classifica como "vergonhosa" esta "desorientação e sobreposição de competências", associada ao "silêncio inadmissível do primeiro-ministro", José Sócrates.
O antigo secretário de Estado da Administração Interna acrescentou que "a criminalidade está cada vez mais organizada e o Governo cada vez mais desorganizado". Outra das críticas de Nuno Magalhães prende-se com as declarações do secretário de Estado adjunto e da Administração Interna, José Magalhães que, ontem, admitiu que o Governo poderá fazer clarificações ao Código de Processo Penal. "Quem tem competência para alterar leis penais não é o Ministério da Administração Interna, mas o ministro da Justiça, que já disse que não vai mudar nada", frisou.
O responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança, Leonel de Carvalho, disse hoje que a criminalidade violenta aumentou cerca de dez por cento nos primeiros seis meses deste ano relativamente ao período homólogo de 2007. Segundo o tenente-general, a criminalidade violenta aumentou "ligeiramente acima dos dez por cento" nos primeiros seis meses deste ano, enquanto a criminalidade geral aumentou "ligeiramente abaixo dos dez por cento" no mesmo período face ao período homólogo de 2007.


