CDS: Não ao referendo "despreza cidadãos da República" e "desmerece a Constituição"

08.01.2010 - 13:13 Por Lusa
O CDS-PP afirmou hoje que o Governo e os partidos da esquerda vão iniciar o ano do centenário da República “desprezando os cidadãos da República e a desmerecer a Constituição”, ao impedir um referendo sobre o casamento homossexual.
Numa declaração no Parlamento o deputado centrista Ribeiro e Castro assinalou que as mais de 92 mil pessoas que assinaram a petição pelo referendo estão “a olhar” para ‘a casa da democracia’.
“São gente do nosso país e o que nos dizem elas, legislem mas ouçam-nos (…) não podemos fazer da Constituição e da lei uma paródia, convidar as pessoas a participarem directamente e depois, afinal, despedi-las, só podemos fazê-lo se quisermos causar dano à democracia, apoucar as instituições, convocar estigmas de ilegitimidade”, disse.
O deputado do CDS defendeu que “a responsabilidade de promover o referendo era do Governo e dos partidos que apresentaram projectos”, porque “quem desencadeia o processo legislativo, numa matéria que atravessa toda a sociedade, que não é partidária, é que tem o ónus de desencadear o referendo, se quer democraticamente enriquecer o processo e certificar-se que a sociedade quer mesmo aquilo que o Estado desenha para ela”.
“A sociedade organizou-se, respondeu ao convite da Constituição e da lei da República e os requisitos são apertados, 75 mil assinaturas é o equivalente à constituição de dez partidos políticos, à apresentação de cinco candidatos presidenciais ou de duas iniciativas legislativas populares, mas houve mais que isso, houve 92 207 000 assinaturas”, referiu Ribeiro e Castro.
Lembrando que em 2010 se comemora o centenário da República, o deputado democrata-cristão interrogou a esquerda “e em particular o PS” sobre a sua ideia da República.
“Iniciar a celebração dos cem anos da República com a rejeição pela Assembleia da República de uma forte e impressiva iniciativa republicana em que a cidadania reclama decidir sobre o que é seu não é nosso, é da cidadania, é dos homens e mulheres do meu país. Funesto começo do centenário”, vaticinou.
No seu discurso, Ribeiro e Castro citou Mário Soares, que numa entrevista dada no ano passado afirmou que “os casamentos entre homossexuais são questões de consciência complicadas” e que existem “certos radicais que querem ir adiante para mostrarem que são de esquerda”.
“Eu sou de um tempo e de uma geração que construiu admiração pelo PS e algumas das suas figuras (…) o PS consolidou-se como forte referência e partido estruturante da democracia, esse capital político e histórico constitui uma responsabilidade que se exerce ou esgota”, afirmou Ribeiro e Castro.
“Como acham que as gerações de hoje, lá fora, vão entender o PS e que imagem vão reter para o futuro se numa questão que diz directamente respeito às famílias e às pessoas e em que as famílias e as pessoas se organizaram para pedir a discussão e o voto directo, o PS, em vez de abrir os braços à democracia, fosse o principal responsável por fechar e trancar a porta à participação (…) isso não seria República, isso não seria o mesmo PS”, concluiu.

