Em pleno clima de guerra civil, o CDS reúne hoje o conselho nacional com duas agendas distintas. A direcção quer discutir os ataques de que tem sido alvo e mantém em aberto a possibilidade de convocar um novo congresso para legitimação do líder. Os críticos consideram que o CDS tem que se preocupar em fazer um balanço do último ano e de se preparar para ser "mais atractivo" e alargar a sua base de apoio.
Ao fim de vários dias de trocas de acusações verbais através da comunicação social (desde sábado, dia em que Ribeiro e Castro anunciou que iria marcar um conselho nacional), dirigentes e deputados encontram-se pela primeira vez frente-a-frente e a discussão, por isso, promete polémica. Os dois lados da contenda, no entanto, tentavam ontem acalmar os ânimos e esvaziar um pouco o balão.
O deputado António Pires de Lima adiantou ao PÚBLICO esperar que a discussão seja "construtiva", que sirva para se fazer um balanço do último ano da liderança de Ribeiro e Castro e tratar do que "é essencial": "como tornar o CDS um partido mais atractivo e sedutor, em que as pessoas se revejam e em que apeteça votar". Defendendo que era bom que se "torneie" a agenda definida pela direcção, mais voltada para as críticas internas, o deputado acrescenta que "um partido não é propriamente uma igreja", "naturalmente tem que haver divergências". Entre os críticos de Ribeiro e Castro, mais próximos de Paulo Portas, não há quem defenda, para já, um congresso electivo.
Paulo Núncio, porta-voz da direcção do CDS, insistiu ontem ao PÚBLICO que a reunião vai ser "muito importante para clarificar posições e esclarecer questões actuais". Quanto a um novo congresso, "a actual direcção e em especial o presidente não o temem de maneira nenhuma". Ribeiro e Castro não leva, à partida, a proposta de um novo conclave na manga, depende de como correr a reunião, mas quer mostrar que está disposto a tudo para calar as vozes dos descontentes. Núncio conta com "serenidade e responsabilidade" na discussão.
No conselho nacional, irão ainda estar presentes Herculano Gonçalves, líder da distrital de Santarém, que anda a recolher assinaturas para um congresso extraordinário, e Manuel Sampaio Pimentel, vereador da Câmara do Porto, que pediu a demissão de Ribeiro e Castro. Este não tem assento no conselho nacional, mas foi convidado a estar presente pela direcção, uma vez que um dos pontos da ordem de trabalhos diz respeito a esse seu pedido.


