Cavaco: UE deve libertar-se da influência das agências de rating

09.07.2011 - 13:34 Por PÚBLICO, Lusa
O Presidente da República voltou hoje a criticar a actuação das agências de rating, esperando que a União Europeia (UE) se liberte da sua influência.
Para o Presidente da República, “não há a mínima justificação para que uma agência de notação altere a apreciação que faz da República Portuguesa, quando há informações de que Portugal está a cumprir tudo o que consta do memorando assinado” com a , conforme disse hoje em declarações aos jornalistas em Vale do Lobo, no Algarve.
Cavaco já ontem se referira às agências de rating como uma ameaça à economia europeia, juntando-se às críticas de economistas e responsáveis políticos portugueses e europeus que nos últimos dias apontaram o dedo à Moody’s por ter colocado a classificação da dívida soberana em “lixo” e cortado na nota de várias empresas públicas, autarquias, regiões autónomas e dívida garantida dos bancos.
Hoje, Cavaco disse esperar que a União Europeia tome medidas “que libertem, de alguma forma, o processo de decisão de 27 chefes de Estado e de Governo da influência das agências”.
Confrontado pelos jornalistas sobre uma declaração sua de 2010, em que dizia não valer a pena “recriminar as agências de rating”, Cavaco respondeu: “Àqueles que sofrem de ignorância na análise, eu apenas posso recomendar um pouco mais de estudo”. O Presidente acrescentou que agora há “um reconhecimento generalizado de um comportamento” que se pode considerar como “uma ameaça à zona do euro”.
A criação de uma agência europeia de análise financeira é uma hipótese já admitida por Bruxelas, pelo que Cavaco remete para a Comissão Europeia “o estudo da forma mais adequada para responder a situações”, como a que ocorreu com Portugal.
Bruxelas está a estudar a criação de uma agência de rating e tornará pública ainda este ano as conclusões dos trabalhos nesse sentido.
Para Cavaco Silva, Portugal pode ter funcionado como um “detonador” para despertar a União Europeia, sustentando que “nunca isto tinha acontecido no passado, mesmo com as situações da Grécia e da Irlanda”.
Notícia e título corrigidos às 15h07: Ao falar de "ignorância", Cavaco Silva não se referiu directamente às agências de rating, conforme indicava a versão original da notícia

