Cavaco Silva: solidariedade deve ser a "palavra-chave da Presidência da República"

29.12.2005 - 17:01 Por Lusa
O candidato presidencial Cavaco Silva defendeu hoje que a solidariedade deve ser "a palavra-chave da magistratura do Presidente da República" e elogiou o papel desempenhado pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) em Portugal.
"O Presidente da República deve dar uma atenção particular aos mais vulneráveis: os idosos, os deficientes, os desempregados", sublinhou o candidato presidencial apoiado pelo PSD e CDS-PP, no final de uma visita à Santa Casa da Misericórdia da Amadora.
Cavaco Silva defendeu que o Estado português deve apoiar fortemente as IPSS, "instituições que conseguem fazer com sentido de proximidade e com humanismo o que o Estado não consegue".
O candidato a Belém manifestou a sua preocupação com os números da pobreza infantil em Portugal, que atinge 16 por cento das crianças de acordo com dados da UNICEF, sublinhando que o Chefe de Estado deve prestar especial atenção "não só às crianças abandonadas mas também àquelas inseridas em famílias sem rendimentos para lhes dar uma vida digna".
O ex-Chefe de Estado Ramalho Eanes, presidente da comissão de honra da candidatura de Cavaco Silva, participou hoje pela primeira vez numa acção de campanha, acompanhado pela mulher, Manuela Eanes. "Solidariedade e competência são duas coisas que acho que dizem muito respeito a Cavaco Silva", afirmou Eanes, recordando a cooperação "leal" que mantiveram quando um era primeiro-ministro e o outro Chefe de Estado, em 1985 e 1986.
Questionado sobre as recentes declarações de Cavaco Silva, em que sugeria a criação de uma secretaria de Estado para acompanhar empresas estrangeiras em Portugal, Ramalho Eanes classificou a polémica de "artificial".
"Se como cidadão achasse que tinha tido uma boa ideia para ajudar a agilizar o Governo, eu obviamente faria essa sugestão. Fazê-lo corresponde a uma obrigação social, não a fazer é que seria negativo", disse.
No final da visita, questionado pelos jornalistas se um Chefe de Estado pode intervir nas negociações salariais entre Governo e sindicatos, o candidato reiterou que esta é uma matéria onde o Presidente da República "não deve interferir publicamente". "Não quer dizer que não troque impressões com o primeiro-ministro sobre a política salarial do país", disse.
Instado a comentar declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, que diz que a actual Constituição Europeia é inviável, Cavaco Silva congratulou-se com a posição de Freitas do Amaral, manifestada em entrevista à Antena Um.
"Só tenho de me congratular com esta opinião, já a manifestei várias vezes. Não me parece que haja possibilidade de submeter o mesmo texto à aprovação dos cidadãos europeus", disse, lembrando que o Tratado Constitucional já foi rejeitado em referendo pela França e Holanda.
Em vez de alterar o seu modelo institucional, Cavaco Silva defendeu que a União Europeia se deveria concentrar em "dar resposta aos anseios dos cidadãos europeus", em matérias como o desemprego, a deslocalização de empresas e a concorrência dos mercados asiáticos.

