Cavaco Silva recorre à ironia para não comentar caso Lopes da Mota

14.05.2009 - 17:03 Por Nuno Simas, em Istambul
O Presidente evitou hoje qualquer comentário sobre o caso das pressões a magistrados no caso Freeport e de Lopes da Mota para não quebrar o princípio de não falar sobre assuntos de política em visitas ao estrangeiro.
Numa conversa com os jornalistas que o acompanham na visita de Estado à Turquia, e questionado sobre a manutenção de Lopes da Costa na Eurojust, o Presidente respondeu com uma graça: “Essa sua pergunta não é ‘just’ mesmo quando o espírito é euro, ou seja europeu”. A pergunta era se a credibilidade de Portugal numa organização como a Eurojust não seria afectada depois de ter sido aberto um inquérito a Lopes da Mota.
Por fortes indícios de exercer pressões sobre os dois magistrados que investigam o processo Freeport, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, determinou, na terça-feira, a abertura de um processo disciplinar a este procurador-geral adjunto nomeado para a Eurojust pelo ex procurador-geral da República, Cunha Rodrigues.
O processo relativo ao centro comercial Freeport de Alcochete prende-se com alegadas suspeitas de corrupção e tráfico de influências no licenciamento daquele espaço, em 2002, quando o actual primeiro-ministro, José Sócrates, era ministro do Ambiente. Neste momento, o processo tem dois arguidos: Charles Smith e o seu antigo sócio na empresa de consultoria Manuel Pedro, que serviram de intermediários no negócio do espaço comercial.
O jornalista do PÚBLICO viaja num avião fretado pela Presidência da República

