Cavaco Silva pede mais espírito de cooperação entre portugueses 
25.10.2006 - 13:42 Por Lusa, PUBLICO.PT
O Presidente da República quer que o espírito de cooperação e a vontade de fazer obra comum "dominem mais profundamente" os portugueses.
"Acredito, aliás, que há motivos para ter esperança. É a minha convicção, fundada em boas razões", disse Cavaco Silva, ao presidir à abertura da conferência internacional promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que até sexta-feira reúne personalidades que vão reflectir sobre a crise de valores.
Perante um auditório completamente cheio, o Presidente da República disse encontrar motivos para ter esperança nessa cooperação, sempre que encontra portugueses disponíveis para o voluntariado. "Sensibiliza-me, em particular, ver entre eles tantos jovens, aqueles que supostamente estariam possuídos pela descrença nos ideais", observou.
Cavaco Silva disse também apreciar o esforço dos portugueses que, "graciosamente, impulsionam inúmeras colectividades da sociedade civil" e os que, "apesar das seduções que lhes chegam de outras paragens, escolhem ficar e dar aqui o seu contributo ao país, por exemplo, nas áreas científicas mais avançadas".
Elogiou a Fundação Calouste Gulbenkian por ter organizado a conferência sobre este "tema essencial" porque "se fala, com frequência, de uma crise geral de sentido" dos valores sociais.
Evocando o mentor da conferência, o filósofo Fernando Gil, falecido no ano passado, recordou-o como "um homem de convicções que, prisioneiro de uma extrema lucidez, dedicou a sua vida a uma incessante busca das condições da verdade possível".
Ressalvando que não pretendia sugerir uma resposta para "tão magna questão", o Presidente da República observou, no entanto, querer contribuir para a reflexão sobre o porquê da necessidade de valores para a vida em sociedade.
"É certo que se fala em fim de certezas, em negação das tradições, em descrença nos ideais", referiu, acrescentando que, se a sociedade vive uma fase de "materialismo obscuro", exigirá também aos homens que confiram "novos sentidos aos valores de sempre e, mesmo, vislumbrar novos valores".
O Presidente sublinhou a importância da existência de valores na sociedade para que exista "um sentido, a esperança, o futuro" e defendeu que o homem, "para não ser solitário, tem de ser solidário". "Estes valores da vida em comum pacificam a eterna tensão entre a necessidade de vivermos juntos e a vontade de cada um viver à sua maneira", defendeu.
Na sua intervenção, relacionou ainda a temática da definição de valores com a questão da liberdade e da responsabilidade. "Somos livres - disse - também porque somos responsáveis e porque sabemos que seremos responsabilizados pelas escolhas que fizermos".
A conferência "Que valores para este tempo?", inaugurada com uma intervenção do ensaísta Eduardo Lourenço, prossegue durante a tarde com a participação de pensadores estrangeiros sobre a crise de valores.
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.

