Cavaco Silva pede aos empresários que promovam integração de deficientes

19.12.2006 - 14:21 Por Lusa
O Presidente da República, Cavaco Silva, pediu hoje aos empresários que promovam a integração dos cidadãos deficientes, defendendo que as empresas devem assumir "a sua responsabilidade social" nesta matéria.
Em Alcobaça, numa etapa do Roteiro para a Inclusão dedicada às pessoas com deficiência, Cavaco Silva defendeu que "um deficiente pode não ser um fardo para a empresa" mas sim "uma oportunidade" se "ela souber aproveitar as suas capacidades".
Hoje de manhã, a comitiva visitou a empresa de faianças Arfai-IGM, em Aljubarrota, que emprega três deficientes e venceu o prémio de mérito do Instituto de Emprego e Formação Profissional.
A empresa "deu uma oportunidade de realização com dignidade para jovens com deficiência", sublinhou Cavaco Silva, considerando que um operário deste tipo "pode realizar produção, prestar serviços e integrar-se, depois da formação que recebe, na sociedade". Por isso, deve "haver um esforço muito grande para que eles possam ter uma vida digna", defendeu.
"A nossa prioridade tem de ser para aqueles que têm deficiências profundas", mas "existem outros a quem é possível dar uma educação, dar uma capacidade", notou ainda o chefe de Estado, sustentando que, se "fizerem uso da responsabilidade social que lhes cabe, será possível integrar muito mais deficientes num trabalho digno e contribuir para a sua realização".
Apoios são "largamente suficientes e pouco burocráticos"
Para a administradora da Arfai-IGM, Carla Wouters, os apoios estatais à integração dos deficientes são "largamente suficientes e pouco burocráticos", faltando agora a adesão dos empresários.
A empresa foi criada em 1992, a partir da necessidade de controlar o circuito de mercadorias, mantendo a produção manual das peças. "Em capital humano, o grupo é extremamente abastado", considerou a administradora, que minimizou a importância da sua acção na integração de operários deficientes.
"Não considero extraordinária a nossa acção, mas natural", disse, até porque é "possível compatibilizar o sucesso de uma empresa com a responsabilidade social que lhe é devida".
Os três deficientes foram recrutados pela empresa em colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional e com o Centro de Educação Especial e de Reabilitação Infantil de Alcobaça.
Luís Miguel, 34 anos, sofre de epilepsia e trabalha no sector das faianças há 20 anos, ocupando agora as funções de forneiro nesta empresa. Os outros dois operários, Carlos Bernardo e Ruben Rodrigues, sofrem de problemas que se reflectem na locomoção e na audição, respectivamente.

