De visita à Áustria, país governado por uma coligação de “bloco central”, Cavaco Silva confessa que esse tema dominou o encontro de hoje com o Chanceler austríaco, Werner Faymann. E defende que o “bom diálogo” entre os dirigentes dos diferentes partidos deve ser a regra em Portugal como nos outros países.
"É bom que em Portugal se estabeleça um bom diálogo entre os dirigentes dos diferentes partidos pensando sempre no futuro, mas isso é regra que se aplica a todos os países e não apenas a Portugal”, disse hoje num encontro em Salzburgo com os jornalistas que acompanham a visita oficial do chefe de Estado.
Consciente do alcance das suas palavras, Cavaco Silva rodeou-se de cautelas. “É uma afirmação genérica sobre a qual não se pode tirar quaisquer ilações”, disse, rindo-se depois do aviso.
O Presidente da República foi questionado sobre se levava para Portugal ideias para soluções de estabilidade governativa. As eleições legislativas austríacas do final do ano passado, em que nenhum dos partidos obteve maioria, obrigaram a uma coligação entre o partido social-democrata (centro-esquerda) e os conservadores.
Cavaco Silva confessou que esse tinha sido o tema de conversa com o Chanceler, com quem tinha terminado há momentos um encontro a sós, num hotel de Salzburgo. “A coligação, segundo me informou, está a funcionar muito melhor do que a anterior que falhou e levou a eleições antecipadas”, disse Cavaco Silva que não se pronunciou sobre a política nacional.
Já sobre a reeleição de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia, Cavaco Silva defende que a indecisão pode trazer prejuízos à Europa.
“As hesitações em relação à reeleição de Durão Barroso podem enfraquecer a comissão, principalmente porque não há alternativa”, sustentou, deixando uma interrogação: “Qual é a vantagem de enfraquecer a Comissão Europeia?”.
Segundo o Presidente da República português, o Chanceler austríaco tinha acabado de sublinhar, durante audiência, o apoio dado a Durão Barroso por 27 chefes de Governo.
Ainda na política europeia, Cavaco Silva mostrou-se esperançado sobre a vitória do “sim” no referendo irlandês sobre o Tratado de Lisboa, marcado para Outubro. Da última vez que esteve em Dublin, Cavaco Silva disse ter reparado em cartazes que diziam “If you don’t know, say no” (se não conhece, vote não). “Talvez os irlandeses tenham olhado de forma mais cuidada para o texto do Tratado”, disse, considerando uma “indicação positiva” os “péssimos resultados” nas eleições europeias do Partido Libertas, um defensor empenhado do “não” irlandês no primeiro referendo sobre o Tratado de Lisboa.


