O Presidente da República, Cavaco Silva, exigiu hoje "progressos claros" na economia, educação e justiça em 2007, ano que considerou crucial para o futuro do país, e defendeu um "relacionamento salutar" entre os órgãos de soberania.
"Os portugueses exigem realizações concretas. E o Presidente da República acompanha-os nessa exigência de resultados. É muito importante que em 2007 se registem progressos claros em, pelo menos, três grandes domínios da nossa vida colectiva: desenvolvimento económico, educação e justiça", afirmou Aníbal Cavaco Silva.
Na sua primeira mensagem de Ano Novo como Presidente — transmitida pela rádio e televisão públicas, e pela primeira vez também no site da Presidência da República na Internet —, Cavaco Silva considerou que Portugal vive "um tempo de esperança", mas disse compreender os sentimentos daqueles que se têm mostrado insatisfeitos.
"Compreendo os sentimentos daqueles que se têm mostrado insatisfeitos e querem um país melhor. Partilho dessa insatisfação, quero um Portugal melhor, e, por isso, serei também exigente quanto aos resultados. Só assim poderemos compreender e aceitar que os sacrifícios do presente são essenciais para preparar um futuro melhor", argumentou.
Presidente considera crucial a recuperação do investimento
Na área da economia, Cavaco Silva apontou como "crucial que 2007 fique marcado por uma recuperação do investimento", atribuindo aos empresários o papel de "verdadeiros agentes da mudança" e exigindo ao Estado que "seja mais eficiente no uso dos seus recursos".
Para Cavaco Silva, o esforço de reequilíbrio das finanças públicas, sendo um "factor decisivo para um crescimento económico sustentado", deve ter em conta "a preservação da coesão social e a solidariedade para os que mais precisam".
Na educação, defendeu que "a qualidade do ensino, o estímulo à excelência e o combate sem tréguas ao insucesso e abandono escolar têm que ter sinais positivos já em 2007".
O chefe de Estado congratulou-se pela redução de "alguma crispação que marcava o sector da Justiça" e pelo "entendimento político alargado" com vista à credibilização do sistema judicial, exigindo aos protagonistas do sector "um contributo activo" para a eficiência do sistema em 2007.
"Portugal precisa de todos"
No plano político e institucional, o Presidente da República — que privilegia na sua actuação a "cooperação estratégica" com o Executivo — entende ser "fundamental que haja um clima de confiança e estabilidade que favoreça o desenvolvimento económico e social e permita a realização de reformas inadiáveis".
"Deve ainda existir um salutar relacionamento institucional entre o Governo da República e os seus interlocutores, desde os órgãos de governo próprio das regiões autónomas às forças partidárias e aos parceiros sociais", defendeu.
Num tom conciliador, Cavaco Silva assinalou que "tem procurado assegurar as condições políticas para que Portugal siga um caminho de futuro, no respeito pelas opções democráticas dos cidadãos", mas alertou que "Portugal precisa de todos".
"Não ignoro as esperanças e os anseios dos portugueses e as dificuldades por que passam alguns. Tenho-os ouvido ao longo destes meses, nomeadamente através dos roteiros'que me levaram a vários pontos do país", referiu, apelando a "um olhar atento para o sofrimento dos menos afortunados".
Presidência da União Europeia como "oportunidade para afirmar o prestígio"
Cavaco Silva lembrou que Portugal presidirá ao Conselho da União Europeia no segundo semestre de 2007, uma tarefa "exigente, complexa e de grande responsabilidade", mas também uma "oportunidade para afirmar o prestígio" do país.
Na sua mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva deixou "uma palavra de apreço e admiração" aos "portugueses espalhados pelo mundo" e aos militares destacados em missão no estrangeiros.
"No ano que agora começa, espero que vejamos sinais de um tempo melhor. E é na esperança de um tempo melhor que desejo a todos os por tugueses e às suas famílias um feliz Ano Novo", concluiu.


