O candidato presidencial Cavaco Silva anteviu hoje a queda da economia portuguesa para a cauda dos 25 países da União Europeia (UE), caso se mantenha o ritmo de crescimento dos últimos cinco anos.
"Se Portugal continuar a crescer entre zero e um por cento, onde estaremos daqui a uns anos? Estaremos na cauda da Europa, não a 15, mas a 25", afirmou Cavaco Silva na Universidade Católica do Porto, numa conferência sobre os "Desafios internos e externos de Portugal".
O ex-primeiro-ministro salientou que os países de Leste que aderiram recentemente à UE "estão a crescer cinco por cento ao ano, em média", estando Portugal já atrás da Eslovénia e prestes a ser ultrapassado pela República Checa.
Cavaco Silva sublinhou que, "na mesma conjuntura internacional", as últimas estimativas apontam para um crescimento económico em Espanha superior a três por cento e de apenas 0,3 por cento em Portugal, que já foi novamente ultrapassado pela Grécia.
O professor de Economia frisou que deseja que a eventual queda de Portugal para a cauda da UE seja "um hipótese não realizável", contando para tal com o contributo da juventude para levar o país "novamente para um caminho de sucesso".
Cavaco Silva classificou a sua decisão de se recandidatar à Presidência da República, que revelou ter tomado no Verão, como "um imperativo de consciência" de alguém cuja actividade política no passado é elogiada internacionalmente.
"Os meus 10 anos como primeiro-ministro são hoje avaliados de uma forma muito positiva em todos os relatórios internacionais", salientou Cavaco Silva, manifestando-se disponível para "arregaçar as mangas com o Governo e a Assembleia" da República, de forma a encontrar soluções para ultrapassar a actual crise.
"Não tenho qualquer intenção de sugerir alterações constitucionais às funções do Presidente da República", garantiu, explicando que pretende ajudar os restantes órgãos de soberania no estrito respeito pelas competências presidenciais e numa lógica de contribuição para a estabilidade política.
Cavaco Silva prometeu exercer uma "presidência activa e empenhada, estimulando as energias nacionais e afastando sombras de laxismo e corrupção".
Para o candidato, "honestidade, competência, dedicação aos outros e sentido de Estado" são os valores mais importantes que devem nortear um político.
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