Cavaco Silva alerta para necessidade de uma "estratégia a médio e longo prazo" para o país

10.06.2009 - 12:44
No seu discurso na sessão solene das comemorações do 10 de Junho, em Santarém, Cavaco Silva alertou para a necessidade de uma "estratégia a médio e longo prazo" para o país e criticou os níveis de abstenção nas eleições europeias que, disse, "só empobrecem a democracia".
Referindo-se às dificuldades que o país hoje enfrenta, Cavaco Silva defendeu que é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
É preciso agir "com determinação, sentido estratégico e capacidade de mobilizar esforços e vontades" e apostar no que é "essencial para o aumento da nossa capacidade competitiva". Defendeu a aposta na educação, no mundo rural - como forma de conseguir um ordenamento territorial, a coesão do todo nacional e combater o despovoamento do interior.
Para Cavaco Silva, o país vive uma situação económica e financeira "sem precedentes nas últimas décadas". Mas lembrou a "capacidade para resistir em momentos adversos" e apelou à confiança em que "somos capazes de vencer, mesmo perante os maiores desafios ou as piores adversidades".
"É necessário ter (...) a coragem de encarar a verdade dos factos e proceder às mudanças que sejam necessárias", retirando as lições da actual situação. Tudo porque "só informação correcta permite às pessoas fazerem as escolhas mais adequadas".
A promoção de uma cultura de valores, "que contemple a dignidade das pessoas, incentive o esforço e o mérito e favoreça a coesão social" é condição para o sucesso. Neste âmbito reforçou a necessidade de "valorizar os laços familiares, que são o mais sólido alicerce de qualquer sociedade", de "combater o esbanjamento e o desperdício e rever hábitos de consumismo; compreender que também somos responsáveis pela sorte dos outros, principalmente daqueles que são mais carenciados".
Realçou ainda a necessidade de uma "cultura de transparência e de prestação de contas" nas instituições, no mundo dos negócios e no mundo do trabalho. "Se há um ensinamento claro a retirar da conjuntura actual é o de que o desenvolvimento económico não pode processar-se à margem da responsabilidade social e do respeito por normativos éticos".
Cavaco Silva critica níveis de abstenção e lembra responsabilidade dos agentes políticos
No entanto, tal só será possível com a participação de todos na vida pública. "Em tempos reconhecidamente difíceis como aqueles em que vivemos, não é aceitável que existam portugueses que se considerem dispensados de dar o seu contributo", disse o Presidente, lançando críticas à abstenção nas eleições europeias, superior aos 60 por cento. Esta percentagem é um "sintoma de desistência, de resignação, que só empobrecem a democracia".
"Nenhum de nós se pode eximir das suas obrigações, sob pena de a gestão da coisa pública ficar sem esse escrutínio indispensável que é o voto popular".
O Presidente sublinhou a ligação entre esta abstenção e a credibilidade dos agentes políticos, ou seja, a "forma como aqueles que são eleitos actuam no desempenho das suas funções". "Se não tivermos órgãos de representação prestigiados, será difícil aumentar a participação dos eleitores".
Lista dos condecorados por Cavaco Silva:
Ordem de Cristo:
Eng.º Pedro Pires de Miranda (Grã-Cruz)
Ordem de Aviz:
Vice-Almirante António João Neves de Bettencourt (Grã-Cruz)
Tenente-General Francisco António Fialho da Rosa (Grã-Cruz)
Tenente-General PILAV Artur Manuel G. R. Proença Prazeres (Grã-Cruz)
Ordem de Sant’Iago da Espada:
Dr. Álvaro Cassuto (Grande Oficial)
Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas (Grande Oficial)


