Cavaco Silva afasta cenário de crise e desvaloriza episódios das finanças regionais

05.02.2010 - 14:04 Por José Augusto Moreira
O presidente da República afasta o cenário de crise política e desvaloriza a tensão entre o Governo e a oposição em torno da Lei das Finanças Regionais, que considera “típica das democracias”, embora tenha acrescentado que "é normal que os ministros não gostem de certas leis."
Em Castelo Branco, onde esta manhã iniciou mais um roteiro pelas comunidades locais inovadoras, Cavaco Silva disse que não ia comentar a declaração de ontem do ministro das Finanças, frisando que o que neste momento interessa, tanto ao país como para os observadores externos, é a garantia de aprovação do orçamento de Estado.
“Não vou comentar, como é óbvio, aquilo que disse o senhor ministro das Finanças. O mais importante para Portugal, neste momento em que está sujeito à atenção dos observadores internacionais, é sublinhar a garantia de aprovação do orçamento”, disse, sublinhando até que essa certeza tinha sido até obtida “ainda antes de o documento ter sido apresentado”.
Cavaco Silva fez também questão de dizer que a situação das finanças do nosso país não tem qualquer comparação com a Grécia, aproveitando para lançar duras críticas ao comissário europeu Joaquim Almunia por ter colocado o nosso país ao lado da Grécia.
Puxando dos galões como professor de economia, disse que “é também muito importante explicar que o caso português não pode ser comparado ao da Grécia”. “Conheço bem os números e posso dizer aos observadores exteriores que estão errados na análise que têm feito. Posso dizer-lhes que olhem para o nosso país e vejam a sustentabilidade das contas. Portugal tem um défice muito inferior ao do Grécia e sempre foi um cumpridor escrupuloso”, realçou Cavaco Silva.
O Presidente da República disse ainda que muito do que se tem dito resulta de “muita especulação jornalística”, mas não deixou de lançar duras críticas ao modo como o comissário Almunia permitiu que se pusesse a situação das finanças portuguesas em paralelo com o caso grego. “A comissão [europeia] fez uma análise infeliz e incorrecta. Não é apenas um caso de injustiça, é de incorrecção uma vez que não há qualquer possibilidade de comparação com a situação grega”, frisou.
Quanto à dramatização política em torno da proposta de Lei das Finanças Regionais, Cavaco Silva desvalorizou-a em absoluto, atribuindo-a à “normalidade típica das democracias”. “É normal que os ministros não gostem de certas leis, lembro-me disso no meu tempo”, relativizou, para concluir com um apelo ao bom senso à classe política. “Confio no sentido de Estado de todos os agentes políticos, principalmente quando estamos sob o olhar atento dos observadores internacionais, ao mesmo tempo que sublinhava “o sentido realista que tem sido demonstrado por todas as forças políticas”.

