Acompanhado da maior delegação de empresários de sempre numa comitiva presidencial, Cavaco Silva chegou ontem à noite a Luanda para uma visita de cinco dias a Angola. Uma deslocação com um forte cariz económico mas também político, em que Portugal quer consolidar a atribuição a Angola do estatuto de "parceiro estratégico".
O chefe de Estado viajou acompanhado por uma delegação de pelo menos 115 empresários, uma comitiva organizada pela Agência Portuguesa para o Investimento e Comércio Externo (Aicep) e pela Associação Empresarial de Portugal (AEP). No entanto, Cavaco Silva recebeu antecipadamente um grupo de empresários portugueses com fortes interesses e conhecimento do mercado angolano.
Entre os que foram recebidos na semana passada em Belém, no âmbito da preparação da visita, estão os presidentes dos três maiores bancos privados portugueses - BCP, BES e BPI -, da Edifer, da Galp, da Mota-Engil, da Unicer e da Visabeira.
Em Angola, o Presidente da República vai estar com os empresários que o acompanham na inauguração da Feira Internacional de Luanda, onde estão, pelo menos, mais uma centena de homens de negócios por-tugueses, e ainda nas viagens ao Lubango (província de Benguela) e a Lobito (província da Huíla).
Portugal é o país a que Angola mais compra e o quarto para onde Portugal mais vende. Há mais de dez mil empresas portuguesas que exportam ou têm investimentos no mercado angolano e desta visita espera-se "uma nova fase de relacionamento bilateral, com a valorização do investimento e facilitando a atribuição de vistos", uma questão que perturba as relações bilaterais, como disse recentemente o presidente da Aicep.
A política será também privilegiada por Cavaco Silva nesta visita, no âmbito de um processo que visa consolidar o estatuto de "parceiro estratégico" atribuído a Angola, como referiu fonte oficial de Belém.
O Presidente é acompanhado por três membros do Governo e ainda uma delegação parlamentar, além da referida missão empresarial. Vai encontrar-se pelo menos três vezes com o seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, e faz uma intervenção no Parlamento angolano, que hoje se reúne em sessão extraordinária.
Cavaco Silva procurará ainda reforçar a ligação cultural entre os dois países, podendo ser anunciada durante esta visita a partida de mais professores portugueses para ensinar em Angola. O objectivo é reforçar o grupo enviado para Benguela, ao abrigo do memorando no sector da Educação assinado durante a visita, em Março de 2009, de José Eduardo dos Santos a Portugal, que prevê o envio de 200 professores para as províncias angolanas de Cuanza Sul, Benguela, Namibe, Moxico e Cunene.
Na sexta-feira, dia 23, Cavaco Silva participa na VIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que marca o fim do exercício da presidência portuguesa da organização e o início do mandato da presidência angolana.


