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Cavaco diz que no seu tempo de primeiro-ministro um negócio como PT/TVI seria conhecido do Governo

10.03.2010 - 22:41 Por Lusa

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O Presidente da República admitiu hoje que, no seu tempo como primeiro ministro, um negócio como o da PT/TVI teria de ser do conhecimento prévio do Governo, defendendo que todo este processo deve ser esclarecido.

Em entrevista à RTP, questionado se, no tempo em que foi primeiro-ministro, um negócio desta dimensão poderia acontecer sem o seu conhecimento prévio, o chefe de Estado respondeu negativamente.

“Eu penso que não. Numa sociedade democrática, a compra de uma estação de televisão não pode deixar de ser uma operação transparente, tenho alguma dificuldade que uma compra de tal relevância não seja objecto de uma transparência muito forte”, disse.

No entanto, o chefe de Estado ressalvou que, quando liderava o Governo, “a PT era uma empresa totalmente pública”.

Questionado se se sente esclarecido sobre esta matéria, Cavaco Silva recusou responder directamente, mas admitiu que “talvez os portugueses não estejam”.

“Não sei se os portugueses estão esclarecidos, a prova que talvez não estejam é o facto de a Assembleia da República ir promover uma comissão de inquérito sobre este negócio”, disse.

A comissão de inquérito terá por objeto “apurar se o Governo, directa ou indirectamente, interveio na operação conducente à compra da TVI e, se o fez, de que modo e com que objectivos” e “apurar se o senhor primeiro-ministro faltou à verdade ao Parlamento, na sessão plenária de 24 de Junho de 2009”, quando disse desconhecer este negócio.

Sobre a intervenção pública que fez sobre o caso, o Presidente considerou que não teve influência no fracasso do negócio.

“Eu disse que era importante esclarecerem o negócio por uma questão de transparência. Custa-me a crer que a decisão da PT [de não comprar a TVI] tenha sido determinada pela minha declaração”, afirmou.

Questionado sobre outro processo mediático, o caso Face Oculta, e as escutas que têm sido divulgadas na comunicação social, o Presidente da República recusou pronunciar-se, mas deixou uma garantia e um desejo.

“Eu não fiz nunca uma pergunta ao procurador-geral da República sobre a Face Oculta. Espero que esse processo se desenvolva, chegue ao fim e que fique claro que ninguém está acima da lei, isso é o mais importante”, defendeu.

Cavaco recusou igualmente apreciar a actuação de Pinto Monteiro neste caso e lembrou que o cargo de PGR é de “dupla confiança”, já que o Procurador é nomeado pelo PR por proposta do Governo.

“Sozinho [o PR] não pode nem nomear nem exonerar”, afirmou.

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PR

Eis a grande entrevista do "digo nada"...deve ser do tempo da tropa...as costumes disse ...

António Dias

11.03.2010 16:33

X

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No seu tempo como primeiro-ministro, o Governo teria conhecimento de um negócio como o da TVI, afirmou Cavaco Cavaco não acredita no desconhecimento do Governo sobre o negócio da PT/TVI